Com a eliminação precoce da seleção brasileira na Copa do Mundo, o país vai concentrar as atenções nas eleições a partir desta semana. A menos de três meses do primeiro turno, as pré-campanhas e as negociações de alianças movimentam o ambiente político antes das convenções partidárias que vão escolher os candidatos, de 20 de julho a 5 de agosto.

As maiores dúvidas giram em torno do senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL ao Planalto, principal adversário de Lula. Abalado pelo caso Dark Horse e pelas críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ele tenta estancar o desgaste de seu nome, mostrado pelas últimas pesquisas, que apontam vitória de Lula no segundo turno, no limite da margem de erro.

As turbulências na pré-campanha atrapalham os acordos políticos de Flávio. A principal dificuldade no momento é a escolha do candidato a vice-presidente. O senador tem menos de um mês para formar a chapa. Em desvantagem nas pesquisas, fica mais difícil encontrar quem queira entrar na disputa presidencial com riscos de ficar sem mandato.

Pelo lado de Lula, o fim do prazo para publicidade, inaugurações e entregas de obras diminui os palanques para discursos e propaganda do governo. O petista também ainda precisa montar palanques em alguns estados, como Minas Gerais, onde ele ainda não tem um candidato a governador.

Últimas votações no Congresso
Esvaziado pelas pré-campanhas, o Congresso tem pouco tempo para votações importantes antes do recesso, que começa dia 18 e termina dia 31 de julho. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) demonstra falta de interesse na aprovação da PEC que acaba com a jornada 6×1, prioridade do governo, e esse texto dificilmente avançará antes das eleições.

A PEC que amplia a autonomia do Banco Central também pode ficar para depois do recesso. Na Câmara, existe uma mobilização para a votação do projeto de lei que criminaliza a misoginia.

Nos EUA, audiência sobre o tarifaço
O USTR (sigla em inglês para o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) realiza nesta segunda-feira, 6, e nesta terça, 7, a audiência pública para ouvir empresas, associações e representantes do governo brasileiro sobre o processo relacionado ao tarifaço que o governo Donald Trump deve impor ao Brasil a partir do dia 15 de julho.

Flávio Bolsonaro se inscreveu para a audiência e deve fazer um discurso para tentar reverter o desgaste provocado pela campanha contra o Brasil liderada nos EUA pelo seu irmão Eduardo.

Entrega de armas de Bolsonaro
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro deve atender à decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de entregar nesta semana à Polícia Federal todas as armas registradas em nome do ex-presidente. A permanência das armas na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar passou a ser questionada depois que um de seus seguranças foi flagrado no trânsito com uma de suas pistolas.

No fim de semana, Moraes também atendeu ao pedido da defesa de prorrogar a prisão domiciliar do ex-presidente.