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As dificuldades das alianças entre PT e PSB em Pernambuco e no Ceará

Petistas se dividem no apoio a João Campos e a Raquel Lyra em Pernambuco; e formação de chapa ao Senado no Ceará dificulta acordo entre os dois partidos

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Aliados no governo federal, o PT e o PSB, partidos do presidente Lula e do vice, Geraldo Alckmin, encontram dificuldades para fechar acordos em pelo menos dois estados do Nordeste para as eleições estaduais em 2026. Em Pernambuco, a tendência é de que o presidente Lula tenha dois palanques no estado com as candidaturas do atual prefeito de Recife, João Campos (foto), do PSB, e da governadora Raquel Lyra, ex-tucana que migrou recentemente para o PSD, também da base lulista. Parte dos petistas apoia Campos, e outra ala prefere Raquel.

No Ceará, o líder do PSB no Senado, Cid Gomes, diz ter desistido de disputar a próxima eleição e quer indicar um nome, o deputado Junior Mano, de seu partido, para concorrer ao Senado na chapa do governador Elmano Freitas (PT), candidato a mais um mandato. Esse desejo de Cid gerou atritos entre os dois partidos. Há uma disputa entre aliados de Elmano para compor a chapa ao Senado. O ministro da Educação e ex-governador Camilo Santana tem feito acenos acenos a Cid Gomes para ainda tê-lo como candidato à reeleição na chapa governista.

Em Pernambuco, um grupo do PT mantém apoio incondicional ao prefeito João Campos. É liderado pela senadora petista Tereza Leitão e pelos irmãos Oscar e Osmar Paes Barreto, ambos da corrente Democracia Socialista e bastante influentes no Diretório Municipal do PT de Recife. Oscar é secretário Municipal de Meio Ambiente de João Campos, e Osmar, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Recife.

Outro grupo, liderado pelo senador Humberto Costa e pelo deputado e ex-prefeito João Paulo, é contra o apoio automático a Campos. Integrantes dessa ala admitem a possibilidade de apoiar Campos, mas também não descartam a adesão à candidatura de Raquel Lyra. “Não há uma definição. Mas acredito que o melhor cenário para a reeleição do presidente Lula, se não houver uma unificação em torno de um único palanque, o que eu acho muito difícil,  são os dois palanques", afirma o deputado. “Se for Raquel, eu vou com Raquel. Se for com João, eu vou com João. Se for  dois, estaremos com os dois”.

O deputado é mais inclinado a apoiar Raquel. “Eu tenho uma relação muito boa com ela. Tenho uma relação excelente. Acredito muito no trabalho que ela faz. Tenho uma simpatia por ela, é claro, mas vou acompanhar a decisão do partido”, garante João Paulo.

O senador Humberto Costa, presidente interino do PT nacional e candidato à reeleição pelo Estado, reforça que ainda não há qualquer decisão, que levará em conta as alianças nacionais feitas pelo presidente Lula. "Essa decisão ficará para mais adiante, até porque o PT está passando agora por esse processo de escolha da nova direção. E esse trabalho será feito pela nova direção", disse Costa.

Sobre as chances de o apoio ir para Campos ou Raquel, Costa afirma que há uma relação "mais ampla" com o PSB, apesar de essa convivência apresentar "altos e baixos e momentos de aproximação e de ruptura". Mas diz não saber "se é esse o critério que vai prevalecer". Há um consenso no PT, no entanto, em torno da candidatura à reeleição do próprio Humberto Costa. Se houver o acordo em uma única chapa a ser apoiada – com Campos ou, com menos chance, com Raquel –, um dos candidatos ao Senado deve ser o senador.

Atritos no Ceará
No Ceará, os atritos entre Elmano Freitas e o senador Cid Gomes afloraram após o governador decidir apoiar o nome do deputado Fernando Santana (PT) para a Presidência da Assembleia Legislativa do Ceará. Cid queria um aliado dele no cargo. O irmão de Cid, o ex-governador Ciro Gomes (PDT), rompeu com o ex-governador Camilo Santana ainda em 2022, e tornou-se, a partir daí, um feroz crítico dos antigos aliados no estado. Antes, já rompera com Lula.

Cid discorda de Elmano com o argumento de que partido do governador já tem "muito poder acumulado". Ele sugeria um nome do PDT para o posto. Agora, mesmo em meio com atritos, Cid tenta indicar Junior Mano para uma das vagas ao Senado.

Segundo Humberto Costa, que esteve em Fortaleza na semana passada para conversar com os petistas locais sobre essas dificuldades para uma composição, a indicação de Cid não foi muito bem recebida. "O Cid está declarando que não é mais candidato. Essa é a informação que a gente tem. Ele estaria propondo alguém, mas parece que essa proposição, a princípio, não é muito bem vista pelo PT", afirma Costa.

Uma parte significativa do PT do Ceará defende a candidatura ao Senado do deputado federal José Guimarães (PT), líder do governo na Câmara. Guimarães, que tem apoio também de dirigentes nacionais petistas, não abre mão de sua candidatura. Ele tem o controle do PT cearense e teme perder espaço com a eleição de algum petista indicado pelo ministro Camilo Santana.

O governador Elmano também pretende atrair para sua candidatura o apoio de partidos como PP, PSD e Republicanos, além do MDB e PDT. Para a outra vaga ao Senado, a briga é grande entre os próprios aliados do governador. Além de Guimarães, há os nomes do deputado federal Eunício Oliveira (MDB), e do empresário Chiquinho Feitosa, presidente do Republicanos. Assim, as chances do candidato do indicado por Cid Gomes conseguir a vaga ficam bastante reduzidas. Tanto Humberto Costa como dirigentes locais do PSB acreditam, no entanto, que ainda há chances de um acordo para o PSB apoiar a chapa de Elmano.

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