A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de acionar a lei da reciprocidade contra os Estados Unidos é vista com preocupação por empresários da indústria. Três executivos ouvidos pelo PlatôBR afirmaram reservadamente que a medida pode tensionar ainda mais a relação com o presidente Donald Trump.
Além disso, os industriais alertaram que o início do processo que pode culminar em mais retaliações tende a atrapalhar as conversas que ocorrerão na próxima semana, nos dias 3 e 4 de agosto, quando uma comitiva de empresários do setor visitará os Estados Unidos para buscar um canal de diálogo.
A programação da missão empresarial, organizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), inclui encontros com escritórios de advocacia e lobby, reuniões na Embaixada do Brasil em Washington, diálogos com lideranças da US Chamber of Commerce e com autoridades do governo americano.
“A comitiva já chegará tendo que se explicar sobre a decisão do governo brasileiro. Há um constrangimento com essa decisão. O Brasil também tem poder de fogo reduzido em relação aos Estados Unidos”, diz um executivo.
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o momento exige cautela e discussões técnicas. Segundo ele, as economias brasileira e americana são complementares. Na corrente de comércio, os bens intermediários (insumos produtivos) representaram 58% do que foi comercializado entre os dois países na última década.
“Precisamos de todas as formas buscar manter a firme e propositiva relação de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou Alban. “Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros”, acrescentou o presidente da CNI.