Com o julgamento de Jair Bolsonaro marcado para começar na próxima terça-feira, 2 de setembro, aliados muito próximos do ex-presidente têm procurado ministros do Supremo para expor a expectativa de um ambiente de distensionamento de parte a parte após a esperada condenação.
Figuras influentes no círculo bolsonarista indicam nessas interações que, apesar do discurso público de enfrentamento, há o desejo de que haja uma redução da tensão com o Judiciário, caso se confirme a sentença desfavorável.
Essas pessoas dizem aos ministros com quem têm falado que entendem a inevitabilidade da condenação, mas que, caso haja um gesto por parte do tribunal na dosimetria da pena ou na decisão sobre o regime a ser cumprido — domiciliar, por exemplo, em vez de fechado —, seria maior a chance de se controlar os ataques aos ministros e ao tribunal.
O cálculo político no entorno de Bolsonaro é de que uma condenação tende a encerrar um ciclo de confronto direto com o Supremo e abrir espaço para negociações que evitem um agravamento da crise.
Entre ministros do STF, a percepção é de cautela. Embora tenham recebido os sinais, integrantes da Corte ainda avaliam até que ponto as mensagens refletem uma estratégia de pacificação ou apenas uma tentativa de reduzir a dureza da condenação.