O ministro Alexandre Silveira conseguiu um feito notável: teve desentendimentos com os dois senadores mais poderosos do país, Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, mas segue intocável no Ministério das Minas e Energia. A razão da resiliência é sua relação próxima com Lula e Janja da Silva. De quebra, tem o apoio do chefe da Casa Civil, Rui Costa — o que volta e meia gera ciúme na Esplanada.
Silveira chegou à política com a ajuda de Pacheco. Foi diretor jurídico em parte do primeiro biênio da presidência de Pacheco no Senado, e depois assumiu o mandato de Antonio Anastasia, quando ele foi para o TCU.
Numa eventual reforma nos ministérios, ainda que perdesse Minas e Energia, Silveira dificilmente seria esquecido por Lula. É uma vitrine de que o mineiro precisa, já que almeja disputar o governo de Minas Gerais em 2026 — o estranhamento com Rodrigo Pacheco, dizem aliados dos dois, passa por aí. A partir de fevereiro, o hoje presidente do Senado terá que dar novo rumo à carreira, já que deixa o cargo. Preparar-se para disputar o governo mineiro é uma opção.
A mediação do conflito, que tem respingado em nomeações de agências reguladoras, deve caber ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, conhecido por seus arranjos improváveis.