Após atrair o interesse do Reino Unido, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) passou a ser procurada também por representantes do governo dos Estados Unidos para discutir cooperação em terras raras e minerais críticos. O movimento ocorre em meio à disputa global por insumos estratégicos para a transição energética, baterias e tecnologias de defesa, hoje concentrados na cadeia produtiva chinesa.

O presidente da federação, Flávio Roscoe, confirmou à coluna que representantes dos Estados Unidos já fizeram contato para tratar do tema e que uma reunião está em fase de organização, ainda sem data definida. A expectativa é que a agenda avance no primeiro semestre de 2026.

Paralelamente, a Fiemg mantém conversas com o Reino Unido sobre a instalação de uma estrutura de pesquisa ligada à cadeia de baterias e minerais críticos.

O interesse externo se explica pelos números. O Brasil responde por cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas, ficando logo atrás da China, que concentra quase metade das reservas conhecidas. No entanto, a produção brasileira representa menos de 1 % da produção global, pois o país ainda carece de capacidade de refino e de fabricação de componentes industriais críticos. As maiores reservas do Brasil estão em estados nos estados de Minas Gerais (Araxá e Poços de Caldas), Goiás e Amazonas.

A aproximação com autoridades americanas ganhou força após a participação da entidade, no início de dezembro, em um encontro no Reino Unido que reuniu governos, pesquisadores e diplomatas do Brasil, Argentina e Chile para discutir terras raras e minerais críticos, no contexto da reorganização das cadeias globais fora do eixo chinês.