A necessidade dos Correios de captar R$ 8 bilhões em 2026 — além do empréstimo de R$ 12 bilhões já contratado — para tirar do papel o plano de reestruturação manterá a estatal sob os holofotes no ano que começa. Tanto na equipe econômica quanto na ala política do governo a avaliação é que a saúde financeira da empresa pública tende a ser um foco de crise para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O melhor dos cenários, afirmaram ao PlatôBR técnicos que participam das discussões, é o de a empresa conseguir um novo empréstimo de R$ 8 bilhões com um grupo de bancos, como fez para obter os R$ 12 bilhões. Caso isso ocorra, o tamanho do problema para o Planalto diminui, na avaliação de interlocutores do palácio.
A alternativa ao financiamento privado seria um aporte de recursos do Tesouro Nacional, a pior das opções diante dos sucessivos déficits nas contas públicas. A possibilidade de o socorro vir da União foi confirmada pelo presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, em entrevista coletiva na última segunda-feira, 29.
A avaliação de auxiliares do presidente é de que o problema, caso não seja resolvido ainda no primeiro semestre de 2026, pode respingar na popularidade de Lula em ano de eleição.
Os prognósticos internos da equipe do ministro Sidônio Palmeira (Comunicação Social) apontam que a crise dos Correios será explorada pela oposição para atribuir a Lula o rótulo de gastador que deixa a desejar na condução do país.
