O ministro Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) afirmou nesta sexta-feira, 2, que o governo brasileiro pedirá aos chineses para assumir as cotas de países que não atingirem os limites determinados para a exportação de carne. Ele usou como exemplo o caso dos Estados Unidos, que não venderam o produto para a China em 2025 e, mesmo assim, receberam a autorização para exportar o volume de 164 mil toneladas.
“As cotas foram estabelecidas de maneira igual para todo mundo [com base na participação de mercado de importação dos últimos três anos]. O que vamos tratar com a China é: se um país tem uma cota e não conseguir cumprir, o Brasil pode assumir essa cota. Os Estados Unidos, por exemplo, não exportaram à China em 2025”, disse Fávaro ao Estadão/Broadcast.
O governo de Xi Jinping anunciou na última quarta-feira, 31, um tarifaço global para a importação de carne de países como Brasil, Austrália, Estados Unidos, Argentina e Uruguai. Sob o pretexto de proteger a indústria nacional, o país asiático estabeleceu um regime de cotas e uma taxação de 55% para os exportadores que excederem os limites impostos. Ambos começaram a valer já nesta quinta-feira, 1º.
Os exportadores brasileiros de carne para a China pagarão uma alíquota de imposto de 67% depois que a cota de 1,106 milhão de toneladas for alcançada, informou a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) em nota conjunta com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Esse percentual considera uma alíquota de 12% para os volumes dentro da cota e uma sobretaxa de 55% para as vendas feitas acima do limite. Em 2025, as importações chinesas de carne bovina brasileira somaram cerca de 1,7 milhão de toneladas, o equivalente a 48,3% do volume exportado.
