Como previsto, Lula vetou integralmente o projeto de lei que reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. A rejeição do texto aprovado pelo Congresso foi formalizada nesta quinta-feira, no final da cerimônia que lembrou os três anos dos ataques do 8 de Janeiro.

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) não compareceram à cerimônia. Responsáveis por comandar a aprovação pelo Congresso do texto da dosimetria, os dois optaram por não participar do ato no Planalto. Os dois sinalizaram que vão trabalhar para derrubar os vetos na volta do recesso parlamentar. Esse será o primeiro embate entre o governo e o Parlamento em 2026.

Depois da cerimônia, Lula desceu a rampa do Planalto ao lado da primeira-dama, Janja, do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e ministros para se encontrar com centenas de manifestantes chamados pelo governo para a Praça dos Três Poderes, vandalizada três anos atrás. O ato teve clima de campanha eleitoral.

O presidente do STF, Edson Fachin, também não compareceu à cerimônia no Planalto. Ele se manifestou sobre a tentativa de golpe durante a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, no Supremo. Em discurso, ele afirmou que o ataque às sedes dos três poderes “foi um ato premeditado, pautado pela negação do diálogo”.

A saída do ministro da Justiça
O ministro Ricardo Lewandowski entregou na quinta-feira, 8, a carta de demissão do cargo que ocupa desde fevereiro de 2024. No documento, ele diz que deixa o posto por razões pessoais e familiares.

Lewandowski sai do governo no momento em que aumenta o debate em torno da divisão do ministério para a recriação da pasta da segurança pública. Lula quer tomar a medida, mas a avaliação no Planalto é que somente deve ser implementada se o Congresso aprovar a PEC da segurança, que tramita na Câmara.

Em ano eleitoral, esse é um dos assuntos mais espinhosos para Lula e para o PT. A oposição explora os maus resultados dos governos petistas nessa área em estados como Bahia e Ceará. A violência é uma das principais preocupações dos brasileiros, segundo pesquisas.

O tombo de Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi levado na quarta-feira, 7, para fazer exames em um hospital particular depois de, no dia anterior, cair e bater com a cabeça dentro da cela onde se encontra preso na sede da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Embora os médicos da PF tenham diagnosticado um traumatismo leve, a família fez pressão para que Bolsonaro fosse avaliado no hospital.

Relator do processo que levou à condenação do ex-presidente, o ministro do STF Alexandre de Moraes, negou o primeiro pedido da família, mas depois autorizou a saída de Bolsonaro para a realização dos exames. Os médicos particulares confirmaram que o traumatismo foi leve e o prisioneiro voltou para a cela.

Os problemas de saúde se transformaram no principal argumento da família para pedir que Bolsonaro cumpra pena em prisão domiciliar. A ex-primeira-dama Michelle e os filhos alegam que o presidente corre risco de morrer devido às condições da cela.

Venezuela começa a soltar presos políticos
Na quinta-feira, 8, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de um grupo de presos por razões políticas, entre eles o ex-candidato à presidência Enrique Márquez.

Segundo Rodriguez, a medida foi tomada para a “convivência pacífica” no país depois da operação dos Estados Unidos que capturou Nicolás Maduro. O presidente da Assembleia Nacional é irmão de Delcy Rodrigues, vice de Maduro que assumiu o cargo interinamente depois da saída do titular.