Já faz algum tempo que o advogado Wellington César Lima e Silva vem sendo apontado como favorito para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública com a saída de Ricardo Lewandowski.

Mais do que um nome de perfil técnico, Lima e Silva é visto como alguém que construiu uma relação direta de confiança com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No início do atual mandato do petista, ele chefiou a Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos da Presidência, cargo estratégico a partir do qual despachava com frequência no gabinete presidencial e participava da análise de decisões centrais do governo.

Depois, o advogado foi escolhido para comandar a área jurídica da Petrobras, a partir de uma indicação de Lula, reforçando tanto o seu lugar no círculo de confiança do Planalto e quando a avaliação, entre aliados, de que se trata de um nome com trânsito entre as áreas técnica e política.

Lima e Silva é tido como um integrante da chamada “ala baiana” do governo – um dos grupos mais influentes na atual configuração da máquina federal. Principal nome dessa ala, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), é apontado como um dos padrinhos do advogado. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também demonstra simpatia pela indicação — ainda que faça questão de dizer publicamente que a decisão cabe exclusivamente a Lula.

Dentro do Ministério da Justiça, a avaliação é que a sucessão vai além do currículo. A pasta é estratégica, especialmente neste momento em que há pressão por resultados na área de segurança pública, com projetos relacionados ao tema em tramitação no Congresso, o que aponta para a necessidade de reforçar a articulação do governo com parlamentares. Aliados veem Wellington como alguém que reúne dois ativos decisivos: confiança pessoal de Lula e bom trânsito político dentro da base.

Trajetória
Wellington César Lima e Silva fez carreira no Ministério Público da Bahia, onde chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça, posto que ocupou por dois mandatos – ambos quando o governador era Jaques Wagner. Em 2016, foi nomeado ministro da Justiça por Dilma Rousseff, mas passou apenas onze dias no posto. Sua posse foi anulada pelo STF, que à época entendeu que um integrante do MP não poderia ocupar função no Poder Executivo.

Nos anos seguintes, manteve a atuação no meio jurídico até voltar ao governo no terceiro mandato de Lula. Primeiro, assumiu a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência e, depois, a área jurídica da Petrobras. Nesse meio tempo, seu nome chegou a ser cogitado dentro do governo, ainda que com menor força, para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF. O indicado de Lula, no fim das contas, foi Jorge Messias, chefe da AGU (Advocacia-Geral da União).