O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem pressa para decidir se aceitará o convite feito por Donald Trump para integrar o chamado “Conselho da Paz”, criado para tomar decisões sobre a Faixa de Gaza.

Integrantes do governo brasileiro dizem que essa é uma avaliação que começa agora, mas não deve ser feita de forma célere. Será preciso, dizem, observar o desenrolar de todo processo de formação do grupo, além dos efeitos políticos de aceitar ou não o convite.

Para esses mesmos auxiliares, ainda é cedo também para avaliar os possíveis efeitos sobre o Brasil de uma eventual recusa de Lula – após a crise do tarifaço, o governo brasileiro iniciou um processo de aproximação com a Casa Branca de Trump e uma das consequências de declinar o convite pode ser uma reversão desse movimento.

Antes de responder a Trump, o presidente pretende avaliar quais serão os objetivos do conselho, quais países aceitarão fazer parte e qual será o pensamento predominante a respeito de conflitos militaeres.

O convite enviado a Lula dá a entender que, embora o conselho tenha sido criado para tratar de Gaza, suas atribuições podem ser ampliadas, o que gera o temor de que a instância proposta por Trump passe a operar paralelamente – e em concorrência – com o Conselho de Segurança da ONU.

Outro ponto a ser avaliado é se as decisões do grupo envolvem gastos financeiros dos países que irão integrar o grupo. Em princípio, a participação é de três anos. Mas Trump estipulou que os países que contribuírem com US$ 1 bilhão para a reconstrução de Gaza terão assento permanente.

“A reflexão começa agora e será feita sem pressa. Não há nada claro sobre os objetivos. A avaliação será feita um dia de cada vez”, disse ao PlatôBR um representante da diplomacia brasileira que está a par do assunto.

A informação sobre a lista de convidados para integrar o conselho veio a público no fim de semana. Entre os chefes de Estado convidados por Trump para integrar o grupo estão ainda os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Turquia, Recep Erdogan. A Casa Branca indicou como objetivos do Conselho da Paz para Gaza o “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.