Na volta das atividades do Congresso, no início de fevereiro, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), planeja colocar na pauta de votações propostas que convergem com os interesses do Palácio do Planalto. A tendência é que as tensões do final do ano passado com o Planalto fiquem para trás, ao menos nos primeiros meses.

No rol de prioridades, Motta incluiu, a pedido do governo, o projeto de lei que regulamenta os direitos dos trabalhadores de plataformas digitais, indicado pelos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) como tema prioritário. Outras propostas da lista são a emenda que mexe na jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1 e a PEC da Segurança. 

Motta está em fase de aproximação com Lula após embates desgastantes em 2025 em torno, principalmente, do chamado PL Antifacção e da proposta de redução de pena para os envolvidos na trama golpista. Ele trata esses assuntos como objetos de divergências pontuais e repete o discurso de que pautou todas as propostas de interesse do Planalto ao longo do seu primeiro ano à frente da Câmara.

Decolagem da campanha
Em paralelo à aproximação, Motta tem articulado a formação de uma chapa na Paraíba na qual o seu pai, Nabor Wanderley, atual prefeito de Patos, será candidato ao Senado. A ideia é que ele tenha o apoio de Lula. Para a decolagem da pré-campanha, Motta espera a presença do presidente da República na inauguração da reforma do aeroporto da cidade. A obra foi feita pelo governo do estado e recebeu emendas do presidente da Câmara.

Motta, que se apresenta como o “pai da obra”, espera um resposta de Lula para marcar a data da inauguração. De acordo com aliados do deputado, uma parte das benfeitorias, como a pista, já havia sido inaugurada no ano passado. O plano, agora, é inaugurar a ampliação do terminal de passageiros.

Fantasmas no armário
Apesar do movimento de aproximação com o Planalto, ainda há na agenda da Câmara assuntos com potencial de reavivar as animosidades com o governo. Um deles é o próprio PL Antifacção, para o qual Motta indicou o oposicionista Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Tarcísio de Freitas em São Paulo, como relator.

Modificado no Senado, o texto terá que retornar para a análise dos deputados. Motta tende a manter a escolha de Derrite para a relatoria. A interlocutores, ele disse que agirá para não deixar que essa pauta contamine outras votações. Esse assunto é acompanhado com atenção pela articulação do governo e visto como um “ponto de alerta” na relação ao presidente da Câmara.

Já a proposta da dosimetria, que pode reduzir as penas dos envolvidos na tentativa de golpe e aprovada pelas duas casas Congresso antes de ser vetada por Lula, tende a não ser motivo de estresse. A previsão é de que Motta não atuará pessoalmente para a derrubada do veto do presidente. Até porque a tarefa de pautar a derrubada do veto é do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).