A decisão do Parlamento Europeu de levar ao Judiciário o acordo entre Mercosul e União Europeia foi considerada um “revés”, mas não surpreendeu o governo brasileiro, afirmaram ao PlatôBR oficiais do Itamaraty e do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
A possibilidade de o tratado ser questionado na Justiça fazia parte do mapeamento de riscos feito pelos auxiliares do ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), diante da forte oposição capitaneada pela França contra a redução de tarifas europeias para produtos sul-americanos, sobretudo os agrícolas.
Integrantes das equipes de Vieira e do vice-presidente Geraldo Alckmin, também chefe do MDIC, avaliaram que esse revés é mais uma fonte de preocupação para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que tenta negociar com os líderes europeus o avanço do acordo com o Mercosul enquanto está sob ameaça de um novo tarifaço pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os técnicos do governo também afirmaram que caso ela não consiga destravar o acordo e a sobretaxa de Trump seja confirmada, sua gestão na Comissão Europeia pode perder força, com pressões para que seja substituída.
“Da nossa parte, no Brasil, a prioridade é acelerar a tramitação legislativa do acordo. Se aprovarmos aqui e eles aprovarem lá, já entra em vigor para o Brasil, sem ter que esperar pelos demais países do Mercosul”, disse um auxiliar do governo, sob reserva.
Nesta quarta-feira, 21, os parlamentares da União Europeia aprovaram por 334 votos a 324 o envio do acordo ao Tribunal Superior da Europa para decidir se os termos estão em conformidade com os tratados do bloco.
