Escolhido por Lula para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) estima que a mensagem presidencial que oficializa a indicação será enviada ao Senado somente depois do Carnaval ou até o início do mês de março. O combinado de Messias com o presidente é, primeiro, sentir o ambiente entre os senadores, além de ganhar algum tempo para conversar com aqueles que ainda resistem a votar a favor da nomeação do ministro.

A expectativa é de haja um clima mais ameno que o do final do ano passado, mas o próprio Lula entende que deve encaminhar a mensagem só depois de uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Essa conversa, que pode ocorrer até mesmo antes do início do ano legislativo, em 2 de fevereiro, deve incluir não apenas a indicação de Messias, mas também outros assuntos de interesse do governo, como a votação de vetos do presidente a projetos como o da dosimetria.

Messias já se prepara para intensificar o beija-mão no Senado. De acordo com pessoas próximas, ele já conversou com pelo menos 70 dos 81 senadores. Na oposição, o ministro identifica pelo menos quatro senadores como votos mais difíceis de serem conquistados – mais precisamente, “quase impossíveis”, como apontam pessoas que o acompanham na campanha pela vaga. Esses senadores são Eduardo Girão (Novo-CE), com quem Messias já teve uma primeira conversa, Sergio Moro (União Brasil-PR), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN).

“São senadores que, independentemente de qualquer conversa, votarão contra o governo. Não é um voto só contra o Messias, já que eles também votaram contrários à indicação dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin no passado”, disse um interlocutor de Messias.

Por outro lado, Messias espera reverter posições como a da senadora Damares Alves (Repulicanos-DF). Para isso, ele pediu ajuda ao pastor Sergio Carazza, que foi secretário-executivo de Damares quando ela ocupava o cargo de ministra dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro. Carazza é pastor da Igreja Batista Cristã de Brasília, onde Messias é diácono e membro do conselho fiscal.

No ano passado, o ministro chegou a conversar com Damares mas como a intermediação do deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), que também é pastor evangélico. Àquela altura, a conversa não surtiu efeito e a senadora continuou afirmando que, apesar de ser religioso, Messias não representa os evangélicos, mas a esquerda.