O capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, afastado da Polícia Militar do Rio de Janeiro por negociar com lideranças do Comando Vermelho, foi responsável por fiscalizar a contratação milionária de câmeras de reconhecimento facial pelo governo do estado.
Rosa foi nomeado pelo secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, no apagar das luzes de 2025, em 30 de dezembro, para fiscalizar o contrato com a empresa Consórcio RJ Vigilância e Inteligência. O valor da licitação foi de R$ 114 milhões.
O contrato, que tem duração inicial de 30 meses, prevê a instalação de câmeras em 2.839 viaturas da PM, com tecnologia de transmissão em tempo real, reconhecimento facial e leitura de placas.
O capitão e mais um sargento têm a atribuição de fiscalizar aditivos, liquidar notas fiscais e gerenciar a execução da instalação do equipamento. Rosa é lotado no 39º Batalhão de Polícia Militar, em Belford Roxo, município na Baixada Fluminense.
O PM está sendo investigado pela Corregedoria da PMRJ após a gravação de uma ligação dele com o chefe de favelas de Belford Roxo do CV, José Severino da Silva Júnior, conhecido como Soró, vazar.
A conversa mostra um acordo político entre o capitão e o traficante. Soró afirma que retirou as barricadas das comunidades sob seu domínio, conhecidas como Castelar e Rola Bosta, e reclama que as operações policiais ainda continuavam por lá.
De acordo com o diálogo, o capitão Alessander, no entanto, diz ser ele quem “organiza tudo”: “Quem organiza isso tudo sou eu. Quem fica na prefeitura [de Belford Roxo], no Batalhão, sou eu”.
