Apesar de ter reafirmado que é candidato à reeleição em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, 29, ainda como um nome altamente cotado pela centro-direita para ser candidato ao Palácio do Planalto, a despeito de a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter sido lançada no fim do ano passado.

Nesta terça-27, Tarcísio afirmou que a candidatura de Flávio é “questão decidida”. Aliados dele, porém, ainda o consideram como candidato ao Planalto. Uma parte significativa do Centrão prefere o governador na corrida presidencial indica a intenção de apoiá-lo.

Um desses entusiastas do projeto Tarcísio é o presidente do PSD, Gilberto Kassab, secretário de Governo e responsável pela articulação política do Palácio dos Bandeirantes. Nesta semana, Kassab deixou claro que se Tarcísio for candidato à Presidência, terá apoio do PSD.

A preferência de Kassab pelo nome de Tarcísio suplanta até as ideias já lançadas por ele mesmo de candidatura própria do PSD, seja do governador do Paraná, Ratinho Junior, seja do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Interlocutores dizem que Kassab gostaria de ser vice da chapa. Outros aliados apostam que, se Tarcísio for candidato ao Planalto, ele tende a disputar o governo de São Paulo.

“Prafrentemente”
No PL, partido de Flávio, a reafirmação de Tarcísio de que será candidato à reeleição é vista com ceticismo. Um integrante da cúpula do partido recorreu à série “O Bem Amado” e ao linguajar do personagem Odorico Paraguaçu para explicar a situação de Flávio.

“Hoje o candidato é o Flávio, mas, na política, a gente tem o ‘prafrentemente’. A conversa pode continuar e se tornar outra, tudo pode mudar”, disse, indicando que as pesquisas definirão a estratégia da direita.

A aposta nas hostes do PL é que Tarcísio não conversará sobre candidatura ao Planalto com Bolsonaro e buscará afastar o caráter eleitoral da visita, além de enfatizar a solidariedade ao ex-presidente. Seja qual for a decisão do governador, ele não pode alimentar a ideia de que está traindo o bolsonarismo, crítica que vem sendo alimentada nas redes sociais por perfis ligados aos filhos de Jair Bolsonaro, especialmente Eduardo e Carlos Bolsonaro.

Também nesta terça, o governador disse que pretende ter com Bolsonaro um “papo de amigo” e que recusaria um eventual convite para concorrer ao Planalto, mesmo diante de um apelo do padrinho político. “Isso não vai acontecer, mas eu diria não. É muito tranquilo isso para mim”, afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba, no interior de São Paulo, onde participou de um evento na fábrica da Toyota.

Tarcísio contou que, quando visitou Bolsonaro em sua casa, o ex-presidente chegou a perguntar se sua intenção participar da disputa presidencial e que a negativa foi contundente. “Eu disse: ‘A minha posição é ficar em São Paulo’. Eu fui muito contundente, muito claro com ele em relação a isso, porque também eu precisava manter uma linha de coerência”, disse.