A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) voltou a defender que o Banco Central reduza os juros. Nesta quarta-feira, 28, ela apelou por uma “reflexão” dos membros do Copom (Comitê de Política Econômica) para que a taxa básica de juros entre em um processo de redução e saia do patamar de R$ 15% ao ano.
“Eu não vejo por que manter a taxa no patamar de 15%. Nós estamos com a inflação baixa, dentro da banda da meta. Nós estamos com o dólar despencando e com os preços dos alimentos caindo. A quem interessa manter essa taxa de juros? Eu realmente espero que todo mundo pare e faça uma reflexão e comece a baixar a taxa de juros”, disse a ministra durante um encontro com jornalistas.
O Copom tem reunião marcada para esta quarta e a decisão se mantém ou altera a taxa Selic será anunciada até o início da noite. Gleisi queixou-se de que esforços do governo para cortar gastos acabam anulados em razão dos juros altos. “Isso (a manutenção dos juros altos) só tem implicação em uma coisa: o aumento da dívida pública brasileira. E aí tem gente querendo que a gente faça corte no fiscal para baixar a relação da dívida. Quando a gente deixa de gastar em saúde e educação, nós não baixamos a relação da dívida”, disse a ministra, que está prestes a deixar o cargo para se candidatar ao Senado pelo Paraná. “Eu espero, sinceramente, que eles tenham sensibilidade com o que está acontecendo no país”, acrescentou.
Ao ser questionada se a cobrança era dirigida ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra procurou direcionar seu apelo ao Copom como um todo. Galípolo faz parte do comitê. “São todos eles porque é uma decisão colegiada”, respondeu.
