As cobranças públicas que o ministro Fernando Haddad (Fazenda) vem recebendo de integrantes do governo e do PT por uma candidatura em São Paulo, seja para senador ou para governador, têm incomodado o chefe da equipe econômica e seu entorno. 

A avaliação dos assessores de Haddad é que essa pressão crescente ocorre após o fogo amigo de integrantes do governo e do PT contra as medidas de ajuste das contas públicas do governo. O ministro chegou a ser acusado de “austericídio fiscal” pelo partido. Além disso, diversos ministros deixaram de prestar apoio ao ministro em momentos sensíveis, como na crise do Pix e quando o governo anunciou a isenção de IR (Imposto de Renda). 

Nos dois episódios mais recentes, a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e o ministro Camilo Santana (Educação) cobraram que Haddad saia candidato. Gleisi afirmou nesta quarta-feira, 28, que todos os petistas, inclusive o ministro da Fazenda, têm que entrar em campo e “vestir a camisa” contra o que chamou de extrema direita.

“Acho que numa situação como essa, de enfrentamento grande, todos têm que entrar em campo, vestir a camisa e fazer o que melhor sabem fazer na disputa eleitoral. Então, defendo que todos os quadros nossos, inclusive o ministro Haddad, sejam candidatos. Precisamos fazer a disputa nos estados contra a extrema direita”, disse a ministra.

Já Camilo Santana afirmou, em entrevista publicada pelo jornal O Globo no último domingo, 25, que Haddad não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. “O Haddad cumpriu um papel importante em 2022 e representa algo muito maior. Então não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. Ele faz parte de um projeto de Brasil, que é liderado pelo presidente Lula”, disse Santana.