A afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Fernando Haddad (Fazenda) têm um papel a cumprir em São Paulo nas eleições de 2026 deixou dúvidas e incertezas na cúpula do governo, segundo auxiliares do vice, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Alckmin é discreto e evita comentários sobre o assunto, mas manifesta reservadamente o desejo de permanecer ao lado de Lula na chapa que disputará a reeleição em outubro. 

Em entrevista ao UOL nesta quinta-feira, 5, o presidente disse que conversaria tanto com Alckmin quanto com Haddad sobre o papel que os dois terão nas eleições de 2026 em São Paulo. A demora dessa conversa é o que mais preocupa pessoas próximas ao vice-presidente.

No partido de Alckmin, o PSB, o desejo de que ele seja o candidato a vice já foi manifestado publicamente mais de uma vez. Segundo auxiliares do vice-presidente, ele não se “furtará da responsabilidade” de se dedicar à campanha de Lula e de quem for escolhido candidato a governador por São Paulo, mas não gostaria de disputar o Palácio dos Bandeirantes. 

Para aliados do vice, Lula cometeria um erro se o substituísse por algum nome do MDB, opção discutida internamente no PT. Eles argumentam que o vice-presidente é fiel, tem feito um bom trabalho no ministério e que uma eventual troca seria um risco, diante da possibilidade de traição que poderia sofrer de alguém pouco comprometido com o petista.

Avaliação no PSB
O comentário de Lula não caiu nada bem no PSB. Lideranças do partido evitam fazer críticas públicas, no entanto, argumentam que a declaração do petista está em contradição com a ideia difundida dentro do Palácio do Planalto de que o vice é leal a Lula e que o presidente já sabe que não é desejo dele concorrer a qualquer cargo em São Paulo.

O PSB avalia que Alckmin sacrificou um legado político em São Paulo ao lado dos tucanos para formar a chapa em 2022 e que hoje, ligado a Lula, não teria a mesma penetração que tinha no passado junto ao eleitorado mais conservador ou do interior do estado.

Outro ponto importante citado por membros do partido diz respeito à motivação da troca do vice. Para lideranças da legenda, só uma articulação com um partido grande poderia justificar a substituição na chapa e, por enquanto, não é um cenário que se desenha em São Paulo.

Ao cogitarem a hipótese de uma chapa do PT com o MDB, membros do PSB chegam a comparar a situação de maior tranquilidade de Lula hoje com a insegurança do governo de Dilma Rousseff e o desfecho do impeachment sofrido pela ex-presidente, articulado com a contribuição do ex-presidente Michel Temer. “Será que Lula cometerá novamente o mesmo erro”, disse uma liderança do PSB.