No último capítulo de uma novela que se arrasta há pelo menos dois anos, a Aerolíneas Argentinas quitou uma indenização judicial de cerca de R$ 11 mil ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e à mulher dele, Fernanda Bolsonaro, pelo atraso de um voo ocorrido em julho de 2024. Com o pagamento, a Justiça do Distrito Federal declarou extinta, no início deste mês, a execução da sentença que reconheceu falhas na prestação do serviço aéreo.

O caso teve início logo após a família do senador embarcar de Brasília para Buenos Aires, de onde seguiria para Bariloche. Era uma viagem de férias. Um problema técnico no avião levou ao atraso no primeiro trecho, o que resultou na perda da conexão para o destino final. Flávio Bolsonaro, a mulher e as duas filhas passaram a noite no aeroporto da capital argentina e chegaram a Bariloche final mais de 15 horas depois do previsto.

Na ação, o casal relatou prejuízos financeiros com o cancelamento de uma diária de hotel e parte do valor pago pelo aluguel de um carro. Os danos materiais somaram cerca de R$ 6,7 mil. Além disso, a família pediu indenização por danos morais pelo desgaste físico e emocional diante da alegada falta de assistência por parte da companhia aérea.

Em agosto de 2025, o 6º Juizado Especial Cível de Brasília condenou a Aerolíneas ao pagamento do montante que incluía danos materiais e morais. O juiz Júlio César Lérias Ribeiro apontou que os passageiros só foram informados da necessidade de troca da aeronave no momento do embarque, o que caracterizou violação do dever de informação.

Flávio e Fernanda recorreram para que a indenização chegasse aos R$ 20 mil (R$ 10 mil para cada). Dois meses depois, a Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais do DF negou o pedido e manteve a decisão anterior. De forma unânime, os magistrados consideraram configurado o dano moral e decidiram que a quantia atenderia aos critérios de razoabilidade e proporcionalidade do caso.