Em meio a múltiplas negociações políticas, o presidente Lula vai assistir no próximo domingo, 15, ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que o homenageia no Carnaval deste ano. No fim de semana, em ritmo de campanha, o petista também deve passar pelas folias de Recife e Salvador.

Parlamentares da oposição questionam na PGR (Procuradoria Geral da República) e no TCU (Tribunal de Contas da União) o uso de verba pública da Embratur em um evento que promove a figura de Lula, pré-candidato a mais um mandato no Planalto. Adversários entendem que o presidente também está fazendo campanha antecipada, o que pode levar a ações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Na Sapucaí, Lula deve acompanhar o desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado do prefeito, Eduardo Paes (PSD). A primeira-dama, Janja, vai desfilar na avenida.

Dúvidas sobre o vice de Lula
A escolha do companheiro de chapa de Lula este ano será um dos assuntos que vai alimentar as discussões políticas nos próximos dias. O petista estimulou esse debate ao dizer, na semana passada, que o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, será importante nas eleições de São Paulo. Embora não tenha dito que seu vice vai entrar na disputa estadual, Lula deixou a porta aberta para as especulações.

Espera-se para os próximos dias uma conversa entre Lula e Alckmin para tratar do assunto. Na hipótese de troca do candidato a vice-presidente, o MDB aparece como o partido com mais chances de entrar na chapa, por causa do tempo de TV e das verbas para a campanha. O nome que desponta como favorito para a vaga é o do governador do Pará, Helder Barbalho.

Além de contemplar o MDB com a possibilidade de eleger o vice-presidente, a troca do vice liberaria Alckmin para disputar o governo de São Paulo, cargo que já ocupou por quatro vezes. Com esse histórico, ele é considerado o candidato mais forte para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas, caso ele de fato tente a reeleição.

Mas Alckmin não demonstra interesse em voltar ao Palácio dos Bandeirantes. Nos bastidores, emite sinais de que prefere continuar na vice-presidência.

Partidos se movimentam antes da desincompatibilização
A poucas semanas do final do prazo para desincompatibilização dos governantes que pretendem se candidatar nas eleições deste ano, os partidos se movimentam para acertar alianças regionais e para o Planalto. As atenções se voltam, principalmente, para os partidos de centro, que negociam com as duas pontas da polarização política no país.

Hábil nas articulações políticas, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, acena com a possibilidade de lançar um candidato a presidente, mas ainda avalia o cenário. Os nomes colocados na mesa são os dos governadores do Paraná, Ratinho Jr., de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. O partido está dividido, mas alguns diretórios, como o da Bahia, apoiam Lula.

Os partidos do Centrão também estão rachados internamente. A federação União Brasil-PP e o Republicanos não devem lançar candidatos à Presidência da República e, também, estão divididos sobre o caminho que devem tomar.

Cármen Lúcia e o Código de Ética
A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Cármen Lúcia, se reúne nesta terça-feira, 10, com os presidentes dos tribunais regionais para debater recomendações de conduta dos juízes eleitorais. O assunto ganhou corpo com a iniciativa do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, que encontra resistência na corte para a implantação de um Código de Ética para os ministros.

Entre as diretrizes apontadas por Cármen Lúcia, estão a necessidade de tornar públicas as agendas dos magistrados e o comedimento nas manifestações públicas.