Às vésperas do julgamento do Cade sobre a entrada United Airlines na Azul, marcado para esta quarta-feira, 11, as aéreas reduziram as tarjas de confidencialidade em documentos apresentados ao órgão no processo. A mudança consta em uma nova versão do material, enviada atendendo a uma solicitação do gabinete do conselheiro-relator, Diogo Thomson de Andrade.

A retirada de parte do sigilo das informações veio após questionamento do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo). A entidade afirmava que a versão apresentada pelas empresas trazia muitos trechos ocultos, inclusive sobre a situação financeira da Azul no contexto do regime de recuperação judicial em curso nos Estados Unidos. Segundo o IPSConsumo, o nível de confidencialidade dificultava o controle do processo.

O caso em tramitação no Cade avalia a compra, pela United Airlines, de uma participação adicional na Azul, elevando sua fatia nas ações para cerca de 8%. A Superintendência-Geral do Cade aprovou a operação sem restrições em dezembro, mas o processo foi levado ao tribunal após recurso do IPSConsumo, admitido como terceiro interessado.

As aéreas alegam que o investimento não confere controle nem influência relevante sobre a gestão da Azul e afirmam que eventuais atrasos na decisão podem afetar o cronograma de saída da companhia da recuperação judicial.