Representantes da parte governista do MDB esperam sinais claros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a ideia de que o partido de fato pode ocupar a vaga de vice na chapa à Presidência da República. Nesta semana, a hipótese de substituição de Geraldo Alckmin (PSB) por um nome do MDB ganhou tração no meio político, reforçada por gestos tanto de emedebistas quanto do próprio presidente que, na conversa com o presidente do PSB, João Campos, não deu garantias à legenda da permanência de Alckmin na chapa.
Esses movimentos do MDB mostram que as discussões sobre a substituição do vice subiram de patamar. Passaram do estágio de conjecturas para uma etapa de gestos e recados. Caciques do MDB dizem ter recebido sondagem de Lula sobre a construção de uma coligação formal no plano nacional, mesmo com grande parte da sigla ligada à direita e ao bolsonarismo.
Um expressivo integrante da cúpula do MDB, aliado ao governo, disse ao PlatôBR que é preciso sair da fase de especulação, com um convite do presidente, para convencer diretórios do MDB a apoiarem o acordo. “A situação pressupõe que haja uma uma fala mais clara por parte do presidente da República ou do Partido dos Trabalhadores. É preciso ficar claro qual é o cenário a ser construído”, disse ao PlatôBR, sob reserva, esse emedebista.
“Não é um assunto simples, mas se nós formos olhar a memória, o MDB já esteve à prova nesse mesmo desafio quando, em 2010, houve a propositura da candidatura a vice da presidente Dilma Rousseff, e o partido era diverso, da mesma forma que é hoje”, lembrou, para indicar que a legenda pode, mais uma vez, formar maioria para apoiar o PT.
Esse mesmo emedebista, influente no partido, apontou que a possibilidade de aliança formal com o PT só se viabilizaria caso o partido tivesse a garantia de ocupar a vice. Sem a perspectiva de composição de chapa, não há ambiente para qualquer discussão de formalização de acordo do MDB com o presidente Lula.
Políticos graduados da sigla minimizam o entrave de São Paulo, hoje com uma aliança consolidada entre o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem repetido que será candidato à reeleição. O deputado Baleia Rossi (MDB-SP), presidente nacional da legenda, defende a manutenção da aliança com Tarcísio, adversário do PT e de Lula.
Hoje, o MDB tem 16 diretórios contrários ao apoio a Lula e 11 favoráveis. Com esse quadro, o partido ainda considera a hipótese de se manter neutro na disputa ao Palácio do Planalto, deixando os estados livres para decidirem apoios.
Apesar de reservada, a declaração e a visão de naturalidade em relação ao convite explícito que pode ser feito por Lula guardam concordância com a postura assumida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que aponta o chamado de Lula como um pressuposto para que se possa começar a trabalhar a ideia internamente e garantir maioria pela aliança na convenção da legenda.
O ministro Renan Filho (Transportes) também aposta na ideia e acredita na possibilidade de aprovação da coligação, apesar da maior parte dos diretórios ser contrária à Lula.
