A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) marcou mais um ponto contra a indústria de embalagens de latas de aço. A vitória, no entanto, é parcial.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, confirmou nessa segunda-feira, 2, que haveria indícios preliminares de dumping — prática de venda de produtos estrangeiros abaixo do preço normal para prejudicar concorrentes locais — nas importações de folhas metálicas de aço carbono originárias da Alemanha, Japão e Países Baixos.

Circular da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, aponta que há ligação entre essas importações e danos à indústria nacional. Apesar disso, o órgão não recomendou a aplicação de tarifas provisórias.

Com a constatação, a investigação aberta em 2 de junho de 2025, a pedido da CSN, teve o prazo estendido para até 18 meses a partir do início do processo.

A ausência de tarifas provisórias beneficia importadores no curto prazo, mas é vista como sinalização de que o pleito da CSN pode ser acolhido ao final da apuração. A pasta deverá decidir sobre eventual medida definitiva até novembro de 2026, quando o prazo estendido se encerra.

A CSN, única produtora nacional desse aço fino utilizado em latas de sardinha, leite em pó e outras embalagens metálicas, sustenta que as importações a preços reduzidos vêm comprimindo suas vendas.

Em agosto de 2025, o governo já havia aplicado tarifas antidumping definitivas ao mesmo produto de origem chinesa, com alíquotas de até 28,43% para empresas como Baoshan Iron & Steel, válidas por cinco anos.

Como mostrou a coluna, há uma disputa interna no governo sobre as medidas. Encabeçado por Alckmin, o MDIC apoia a posição da CSN. Por outro lado, Casa Civil, Ministério da Agricultura e Ministério do Desenvolvimento Agrário alinham-se à Abeaço (Associação Brasileira de Embalagem de Aço), que argumenta que as tarifas elevariam em até 6% os preços de enlatados da cesta básica.