A revelação da existência de um espião conhecido como “Sicário” provocou uma rachadura na rede de relações construída por Daniel Vorcaro nos últimos anos. Interlocutores que mantinham contato frequente com o banqueiro passaram a revisar episódios recentes e a trocar impressões reservadas sobre o alcance das atividades de monitoramento atribuídas ao grupo que orbitava o empresário.
Preso pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão é apontado pelos investigadores como responsável por coordenar ações de vigilância e levantamento de informações sobre pessoas consideradas rivais ou críticas a Vorcaro. Mensagens apreendidas indicam que ele articulava as atividades da chamada “Turma”, um grupo formado por pessoas próximas ao banqueiro e integrantes com experiência em segurança.
De acordo com os investigadores, a estrutura recebia financiamento mensal que chegaria a cerca de R$ 1 milhão. Em diálogos citados na decisão judicial, Mourão afirma que os recursos eram repassados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e distribuídos entre os participantes responsáveis por ações de monitoramento e coleta de informações.
A descoberta dessa engrenagem ampliou a desconfiança entre pessoas que frequentavam o círculo de Vorcaro. Nos bastidores, alguns interlocutores passaram a levantar a hipótese de que a rede de hackers ligada a Mourão poderia não ter sido usada apenas contra adversários externos, mas também para espioná-los. A dúvida sobre quem pode ter sido monitorado e com qual objetivo passou a circular em conversas reservadas entre empresários que mantinham proximidade com o banqueiro.
