Declarações recentes do presidente Lula sobre minerais críticos provocaram uma reação no setor de mineração e aceleraram movimentos de investidores estrangeiros interessados em projetos no Brasil, segundo fontes do mercado.

Em encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no início da semana, Lula afirmou que o Brasil “não vai fazer com as terras raras e minerais críticos o que foi feito com o minério de ferro”. O país é a segunda maior reserva desses minerais no mundo, atrás somente da China.

A declaração foi lida por agentes do setor como um indicativo de que o governo pode adotar novas diretrizes para a exploração desses recursos.

Empresas e fundos internacionais passaram então a avaliar a antecipação de decisões de investimento e a acelerar negociações por ativos ligados a minerais críticos e terras raras, usados na produção de baterias, ímãs, tecnologias de energia renovável e sistemas de uso militar.

Insumos como lítio, terras raras, níquel e grafite são considerados essenciais para baterias, eletrônicos, equipamentos de energia renovável e aplicações militares.

Nos últimos anos, governos dos Estados Unidos, de países da União Europeia e de economias asiáticas passaram a buscar fornecedores alternativos para reduzir a dependência da cadeia dominada pela China, que concentra grande parte da capacidade global de refino e processamento desses materiais.

Embora o Brasil tenha reservas relevantes de minerais considerados estratégicos, especialistas apontam que o país ainda possui limitações industriais e tecnológicas para processar parte desses materiais. Hoje, a etapa de refino, que concentra maior valor econômico na cadeia, permanece concentrada principalmente na Ásia.