A conversa deve ocorrer até quinta-feira, 12, dizem os líderes governistas que estão na expectativa do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tentar melhorar o ambiente político no Congresso, sacudido pelas investigações sobre o banco Master. Entre os assuntos a serem tratados pelos dois chefes de poder, o mais proeminente é a indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
Em meio a incertezas quanto à aprovação de seu nome pelo Senado, Messias voltou a investir de forma mais pesada no costumeiro “beija-mão”, em busca de apoio dos parlamentares, mas enfrenta um campo minado. O ministro ainda não teve uma conversa com Alcolumbre, que ficou magoado com a forma com que o nome de Messias foi anunciado por Lula no ano passado, sem uma conversa prévia com ele, que gostaria de ver indicado para a vaga o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu aliado político.
Lula ainda não enviou a indicação de Messias ao Senado, apesar de ter anunciado o nome, e diante do clima acirrado no Congresso, ainda avalia se é o melhor momento para formalizar a escolha. No governo, há quem admita que a sabatina seja feita somente após as eleições.
Mas há uma série de pendências que o governo espera alinhar com o chefe do Senado. Uma delas diz respeito às investigações. Alcolumbre não gostou da redistribuição do inquérito do STF sobre o Master para o ministro André Mendonça, do STF, um desafeto político. Eles ficaram distantes desde que Alcolumbre, como presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), atrasou por quatro meses a sabatina de Mendonça, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lula, na conversa, vai afirmar o que já considera obvio: que não teve influência sobre uma escolha feita por sorteio no STF e que não há também nenhum alinhamento com o STF ou direcionamento da Polícia Federal em relação às investigações.
CPIs
Alcolumbre aparece em mensagens de Vorcaro nas quais o banqueiro relata um encontro com ele na residência oficial do Senado, reunião que se estendeu até a meia-noite. Além disso, ele é aliado político do governador do Amapá, Clécio Luís, estado investigado pela aplicação irregular de R$ 390 milhões da Amazonprev, entidade que gere previdência social dos servidores públicos civis do estado do Amazonas, no Master.
Nem o governo nem Alcolumbre são favoráveis à abertura de CPIs neste ano, principalmente em relação a assuntos com potencial de contaminar todo o debate político. A aposição pressiona pela instalação de uma CPI Mista (deputados e senadores) para investigar as ligações políticas do Master e ainda outro pedido de CPI para investigar o envolvimento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Oportunidade
A oposição fez desses pedidos uma bandeira eleitoral e envolveu Alcolumbre com críticas por omissão em pedidos de impeachment de ministros do STF. O Novo entrou com uma ação no Conselho de Ética com pedido de afastamento de Alcolumbre da presidência do Senado por não pautar os requerimentos contra integrantes do Supremo. Lula pode tentar aproveitar essa situação para puxar o senador mais para perto.
“Não sei como é que vão conseguir fazer CPI no período eleitoral. Não coloquemos todo esse peso somente no Alcolumbre”, afirmou ao PlatôBR o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), ao falar sobre a pressão da oposição e do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pela instalação de uma CPI para investigar os ministros do STF. “A oposição estará aqui em agosto para tocar a CPI?”, questionou o líder do governo.
Lulinha
Na lista de assuntos delicados, está a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, pela CPI que investiga fraudes no INSS. O ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a decisão da comissão que retirou os sigilos bancário e fiscal de Lulinha, que havia sido mantida pelo presidente do Senado. Esse gesto de Alcolumbre contrariou o Planalto.
