O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, aproveitou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, nesta quarta-feira, 11, para criticar o petista, numa prévia do que será a campanha no Brasil neste ano em que Lula pretende disputar a reeleição a uma quarto mandato.

Buscando um verniz de estadista, Flávio disse a jornalistas que Lula foi “muito pequeno” ao faltar à posse de Kast. Afirmou que o petista “não consegue conviver com pessoas que pensam diferente dele” e que o Chile é considerado um parceiro importante por “ser a saída do Brasil no oceano Pacífico”. Para o senador, Lula optou pela “birra” e pelo “rancor em primeiro lugar”.

Sentado na área de convidados, Flávio fez fotos e atendeu a pedidos de selfies com simpatizantes da direita. Lula, se estivesse no evento, ficaria na parte das autoridades, ao lado do presidente argentino Javier Milei e do príncipe da Espanha, Filipe VI. No entanto, ele ficou no Brasil e não escondeu o desânimo com a posse do chileno que representa mais um avanço da extrema-direita na América do Sul.

A falta de entusiasmo de Lula com a posse ocorre desde que recebeu o convite. Ele chegou a sinalizar, um mês antes, que pretendia acertar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um encontro nesta primeira quinzena de março, ou seja, sem considerar a festa chilena. A data da viagem aos EUA, no entanto, ainda não foi acertada.

O presidente brasileiro foi aconselhado pela diplomacia a ir à posse de Kast. O Itamaraty chegou a credenciar jornalistas para a viagem presidencial. No entanto, na manhã de terça-feira, 10, Lula chamou o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) ao Palácio do Planalto e passou a ele a tarefa de representá-lo na cerimônia ocorrida na cidade de Valparaiso, no litoral do país. 

“Cuidar da casa”
O embarque de Lula para o Chile ocorreria na noite de terça-feira, 10. As explicações para o cancelamento não foram divulgadas pelo Palácio do Planalto, que se limitou a informar a substituição de Lula por Vieira. Membros do governo, no entanto, admitem que Lula preferiu “cuidar da casa”.

De fato, ele priorizou agendas internas nesta semana, com conversas com seus principais assessores. Também se empenhou em buscar outras lideranças da América Latina, para discutir a possibilidade do governo Trump enquadrar facções criminosas brasileiras como terroristas, perspectiva que fez o Planalto ligar o alerta a respeito de possíveis intervenções na região. A questão da soberania e do combate à criminalidade foi tratado por Lula com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, nesta quarta-feira, 11.