O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) não são as únicas possibilidades para a vaga de vice do pré-candidato do PL ao Planalto, senador Flávio Bolsonaro (RJ). Segundo integrantes da cúpula do partido, Flávio tem sido orientado a adotar pragmatismo na escolha do nome que vai acompanhá-lo na chapa presidencial de direita. Isso implica na busca por um quadro que agregue mais votos ao projeto bolsonarista de retomada de poder.

Um dos cenários mais favoráveis seria a presença de um nome do Nordeste na chapa, já que a região historicamente concentra forte apoio eleitoral a Lula e a candidatos do campo da esquerda. A composição ganharia ainda mais força com a escolha de uma mulher, fórmula que ampliaria a representatividade regional e de gênero na chapa e serviria como contraponto a episódios de retórica xenofóbica dirigidos ao Nordeste por setores mais radicais do bolsonarismo. 

Embora haja certo consenso, na prática a procura pelo nome “ideal” não tem sido tarefa simples. Não há, por exemplo, uma mulher nordestina que empolgue a cúpula da pré-campanha.

Com essas dificuldades, Flávio e seu grupo mais próximo concentram as conversas sobre esse assunto. Fazem parte desse núcleo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos articuladores do novo projeto bolsonarista de chegada ao Planalto. A ordem é tratar o tema com a máxima discrição para evitar crises entre aliados, especialmente os que nutrem a expectativa de compor a chapa presidencial. Há tempo suficiente, até agosto, para o martelo ser batido. Ainda assim, há uma simpatia por alguém da Bahia, onde a esquerda polariza com a família Magalhães por décadas. 

ACM Neto (União Brasil) chegou a ser defendido internamente, mas o herdeiro de Antônio Carlos Magalhães está bem pontuado nas pesquisas sobre a disputa pelo governo baiano. Nas próximas semanas, também será possível avaliar o impacto da notícia de que ACM recebeu R$ 3,6 milhões do banco Master e da gestora Reag, investigados pela Polícia Federal. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), aliado de ACM, também seria alternativa viável. Essas são conjecturas indicadas como favoráveis ao pré-candidato dentro das avaliações internas.

Ventilado recentemente, Romeu Zema segue no radar do grupo de Flávio. Embora tenha descartado a aliança, o governador mineiro representa o segundo maior colégio eleitoral do país e com tradição de eleger vice-presidentes, como Itamar Franco e José Alencar. Contudo, a avaliação é de que Zema, assim como Tereza Cristina, teria na base o mesmo perfil do eleitorado simpático a Flávio. Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e expoente no agronegócio do Brasil, a senadora representaria a participação feminina, mas dificilmente contribuiria com o objetivo de desempatar os números divulgados nas recentes pesquisas, que indicam Flávio e Lula praticamente com o mesmo desempenho em um eventual segundo turno.