A indústria do aço cobra do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, uma decisão sobre um pedido apresentado em outubro de 2025. A solicitação pede a abertura de uma avaliação de interesse público relacionada às tarifas aplicadas sobre importações de folhas de aço usadas na fabricação de latas.
Segundo a Associação Brasileira de Embalagens de Aço (Abeaço), o pedido ainda não teve resposta. Esse tipo de avaliação é usado pelo governo para analisar se medidas de defesa comercial adotadas para proteger um setor podem gerar efeitos negativos para outras atividades da cadeia produtiva ou para o consumidor.
Fabricantes de latas sob o chapéu da Abeaço afirmam que as restrições às importações reduzem a oferta de matéria-prima e elevam custos para a indústria de alimentos e bebidas. A entidade diz que a análise solicitada serviria para medir os efeitos das tarifas sobre a cadeia de produção e sobre os preços de produtos enlatados vendidos no país.
O tema está ligado às investigações abertas pelo governo a pedido da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), única produtora nacional desse tipo de aço. A empresa afirma que importações a preços mais baixos vêm afetando suas vendas no país e defende a adoção de medidas para conter o que considera concorrência desleal.
Como resultado dessas investigações, o governo já aplicou tarifas sobre importações do produto vindas da China e mantém apurações em andamento sobre fornecedores da Alemanha, do Japão e dos Países Baixos. Em decisão recente, o governo apontou indícios de venda abaixo do preço normal nessas importações, mas decidiu não aplicar tarifas provisórias enquanto a investigação continua.
Esse debate expôs diferenças dentro do governo, como já mostrou a coluna. O ministério comandado por Alckmin tem apoiado as medidas defendidas pela CSN. Já a Casa Civil, o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Agrário se aproximaram da posição da indústria de embalagens, que pede a abertura da avaliação de interesse público.
Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que não comenta a existência ou o andamento de petições apresentadas por empresas ou entidades porque essas informações são tratadas como sigilosas em processos administrativos.
