A volta da Volkswagen ao topo das vendas de carros na China, com a BYD caindo para o quarto lugar, foi interpretada por executivos do setor automotivo como mais um sinal da guerra de preços que tomou conta do mercado de veículos elétricos no país asiático.

A disputa ganhou intensidade à medida que o governo chinês passou a reduzir incentivos que haviam impulsionado o crescimento do setor. Com margens menores e produção elevada, fabricantes locais buscam ampliar presença fora do país.

Parte dessa estratégia encontra barreiras nos principais mercados desenvolvidos. Estados Unidos e União Europeia já adotaram medidas para conter a entrada de veículos elétricos chineses, o que aumenta o peso de mercados emergentes nas exportações.

O Brasil aparece nesse cálculo.

A discussão ganhou força nas últimas semanas em Brasília, depois que representantes da BYD se reuniram com o vice-presidente Geraldo Alckmin para tratar das condições de importação e produção de veículos elétricos no país.

A conversa ocorre no momento em que o governo brasileiro começa a retirar gradualmente os incentivos fiscais que haviam facilitado a entrada desses carros no mercado local.

Outro ponto sensível envolve a importação de veículos desmontados nos formatos CKD e SKD, kits enviados ao país para montagem local.

Montadoras instaladas no Brasil afirmam que o modelo reduz o uso de autopeças nacionais e enfraquece a cadeia de fornecedores.