O Distrito Federal está longe das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de outubro deste ano. O presidente decidiu com o diretório regional a formação de uma chapa progressista na capital, o que não inclui a composição com o PSB.

O PT fechou questão e apostará as fichas numa nova candidatura do presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Leandro Grass, ao Palácio do Buriti. Ex-interventor na segurança pública de Brasília após o 8 de Janeiro, Ricardo Cappelli está fora desse plano. Apesar da afinidade entre bandeiras e adversários, interlocutores de Lula descartam a composição de Grass com Cappelli.

No Planalto, a máxima predominante é que “na política, há fila” e, nesse caso, o ex-interventor estaria “furando a fila”. Além disso, a avaliação é de que Cappelli teve atuação importante após os ataques contra as sedes dos Três Poderes, mas decidiu agir como candidato sem combinar com o PT e, na visão do Planalto, desconsiderou o conjunto de lideranças do campo progressista em Brasília.

Grass concorreu ao GDF nas eleições de 2022. Mesmo derrotado por Ibaneis Rocha (MDB) no primeiro turno, o petista conta com a palavra de Lula para liderar a chapa com o PV, o PCdoB e possivelmente o PDT. Restariam, portanto, poucas opções de esquerda para compor o projeto de Cappelli.

A avaliação é de que, caso o projeto permaneça, o PSB pode acabar em voo solitário ou arriscar o mesmo enredo da eleição passada, quando testou o nome de Rafael Parente, ex-secretário de Educação. O postulante desistiu da empreitada antes mesmo do início oficial da campanha ao governo do DF.