O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), resiste a pressões e busca adiar, ao máximo, as decisões sobre pedidos de investigação já protocolados sobre o banco Master e sobre as relações do banqueiro Daniel Vorcaro com políticos e com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele não fala publicamente sobre o assunto, mas alega preocupação com o impacto político de se abrir CPIs neste momento, quando confrontado pelos que se dizem interessados nas apurações.
Nas mãos de Alcolumbre estão hoje três pedidos para serem definidos, um de cada campo político: o primeiro partiu da oposição, encabeçado pelo deputado Carlos Jordi (PL-RJ). Protocolado com 283 assinaturas de deputados e 42 de senadores, ultrapassando o número de apoios necessários, que é de 171 deputados e 27 senadores, a iniciativa pede investigação de fraudes e de ligações do banco com o poder público e com o STF.
O segundo pedido é uma iniciativa do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e tem foco nas relações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF, com Vorcaro. Há ainda uma terceira solicitação, apresentada pelo líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), que amplia o foco das investigações para possíveis crimes, como manipulação de ativos e gestão fraudulenta.
No caso do pedido de CPI Mista, o presidente do Senado tem adiado a convocação de uma sessão conjunta para análise de vetos presidenciais para não ter que atender à uma exigência constitucional que o obriga a ler o pedido, o que configuraria a criação da comissão. Ao adiar as decisões, Alcolumbre também tem sido obrigado a se explicar, nos bastidores, e a negar negociações para acordos.
Acordo?
Na semana passada, por exemplo, após o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, dizer que Alcolumbre estava propondo um acordo para que a oposição retirasse o pedido de CPI e conseguisse, em troca, a derrubada do veto ao PL da Dosimetria (que reduz pena dos condenados pela tentativa de golpe), o presidente do Senado negou a negociação.
“Eu conversei especificamente com ele sobre esse assunto e ele nega essa proposta de acordo. Até porque, é uma decisão (derrubada do veto) que não passa somente pela mão dele”, disse o senador Alessandro Vieira, em conversa com o PlatôBR. “Estamos falando de uma coisa que tem que passar por um colegiado, não é uma coisa tão simples assim que possa ser resolvida em uma negociação”.
Vieira avisou Alcolumbre sobre sua intenção de buscar a Justiça caso ele não decida sobre a instalação da CPI para apurar possíveis desvios de Toffoli e Moraes, dentro de um período que ele considera “razoável”. O senador evita dizer que definiu um prazo para o presidente do Senado, mas sinaliza que essa decisão precisa ser pensada em até duas semanas. “Eu deixei bem claro para ele que é necessário aguardar a decisão dele por algum tempo, mas que passado esse tempo que a gente considera razoável para um despacho dele, a gente vai à justiça para pedir a instalação” disse Vieira.