Um dia depois de lançar o nome do ministro Fernando Haddad (Fazenda) como pré-candidato ao governo de São Paulo, em ato previsto para a noite desta quinta-feira, 19, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará para Minas Gerais nesta sexta em mais um passo para a confirmação da provável candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao governo do estado. A duas semanas do fim do prazo para mudança de partido, Pacheco ainda não decidiu para qual legenda pretende se transferir. Nem mesmo a intenção de disputar a eleição ele anunciou.
Com a visita a Minas, Lula quer reforçar o apoio ao senador e conversar sobre as alianças locais. Pacheco saiu do PSD depois que o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab (SP), decidiu filiar o vice-governador Mateus Simões, que vai assumir o governo com a desincompatibilização de Romeu Zema (Novo) e, no cargo, se candidatará a mais um mandato.
As negociações com o União Brasil estavam adiantadas, mas Pacheco voltou a considerar outras possibilidade depois que o noticiário expôs ligações entre o presidente da legenda, Antônio Rueda, e o banco Master. O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, que forma uma federação com o União Brasil, também tem relações com a instituição financeira, segundo as investigações. Nesse contexto, o senador retomou as negociações com o MDB e com o PSB.
Lula incentiva Pacheco a se filiar ao MDB, mas essa alternativa enfrenta alguns obstáculos tanto no campo nacional como no local. Presidente estadual do partido, o deputado Newton Cardoso Júnior é uma barreira. Apesar de já ter sido procurado pelo senador e por membros do governo, ele segue com o propósito de lançar o nome do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo como cabeça de chapa.
Desde o ano passado o nome de Azevedo, que é presidente do MDB da capital, foi colocado na disputa, com o apoio do presidente nacional da sigla, deputado Baleia Rossi (SP), que guarda certa distância do PT no campo nacional. A tendência, no entanto, é que o MDB libere os diretórios estaduais para apoiarem os candidatos a presidente que quiserem. Para entrar no partido, Pacheco conta com o apoio de outros emedebistas, por exemplo, do ministro Renan Filho (Transportes).
Agenda de pré-candidatos
Assim como no caso de Haddad, Lula quer cumprir uma agenda de governo, e de pré-candidatos, ao lado de Pacheco. Pela manhã, o petista vai anunciar em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, investimentos de R$ 9 bilhões da Petrobras, com previsão de geração de 36 mil empregos nos próximos 10 anos. Nesse evento, Lula vai descerrar, ao lado do senador, a placa de inauguração da primeira usina fotovoltaica da estatal, que iniciou funcionamento no final de dezembro passado. O investimento é de R$ 63 milhões da empresa que planeja substituir a queima de gás natural pelo uso de energia limpa.
À tarde, também acompanhado de Pacheco, Lula participa em Sete Lagoas (MG), de visita à fábrica da Iveco e anuncia a entrega de 158 novos ônibus escolares do Programa Caminho da Escola O ministro da Educação, Camilo Santana, também participa da agenda. A ação marca o início da distribuição de 1.000 ônibus da segunda etapa do Novo PAC Seleções, com investimento de cerca de R$ 500 milhões. Os veículos vão beneficiar estudantes da educação básica, especialmente de áreas rurais, ribeirinhas e de difícil acesso. A cerimônia contará com a participação de prefeitos de diferentes regiões do país.