Apesar da renúncia de Cláudio Castro e da recente decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que o tornou inelegível até 2030, a sucessão no governo do Rio de Janeiro vai transcorrer com certa vantagem para o grupo político liderado pelo ex-governador. O tribunal definiu que o novo titular do Palácio Guanabara será escolhido por meio de eleição indireta realizada pela votação de integrantes da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), onde Castro contabilizou ampla maioria nos tempos áureos no comando do estado. 

Para a vitória no primeiro turno, o candidato precisa contabilizar pelo menos 36 votos entre os 70 parlamentares fluminenses. Até deixar o governo, Castro ostentava uma base que somava mais de 40 deputados, número suficiente para emplacar quem estará na chefia do Executivo estadual até o fim do ano. Contudo, o desafio será encontrar um perfil de consenso entre os partidos aliados e que não dependa do poder da caneta, a mesma que o ex-governador já não pode mais contar.

A dúvida sobre como seria a escolha de quem pode assumir o Executivo fluminense surgiu a partir de uma brecha observada na certidão de julgamento, a mesma que condenou Castro um dia após o político ter renunciado à principal cadeira do estado. Pelas regras atuais, caberia ao vice-governador assumir a função, porém Thiago Pampolha abriu mão da prerrogativa ao assumir cadeira no Tribunal de Costas do estado. Da mesma forma, o terceiro na linha de sucessão, Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi afastado da Presidência da Alerj após mensagens de celular levantarem suspeitas sobre vazamento de inquéritos policiais para favorecer facção do crime organizado que atua no Rio.

O cenário atípico fez com que o comando do estado ficasse com o desembargador Ricardo Couto, presidente do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro). Pela legislação atual, o magistrado será o responsável por convocar e organizar todo o processo para a escolha de quem ocupará o mandato que termina em 31 de dezembro. No período de indefinição, o PSD acionou o governador substituto para que consultasse a Justiça Eleitoral antes de escolher o modelo de escolha. O partido é o mesmo de Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio e líder disparado nas pesquisas sobre a disputa pelo Palácio Guanabara.

Aliados de Paes nutriam a esperança de que, caso o TSE optasse pela eleição direta (quando os eleitores decidem o resultado), o ex-prefeito poderia largar na frente. A justificativa seria a alta popularidade do político no estado, o que ajudaria a convencer Paes a disputar o mandato tampão. Após a definição do TSE, contudo, o futuro político do Rio ficará nas mãos dos deputados estaduais.