A pesquisa AtlasIntel-Bloomberg divulgada na quarta-feira, 25, mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela primeira vez numericamente acima do presidente Lula nas simulações de segundo turno. O pré-candidato do PL aparece no levantamento com 47,6% das intenções de voto e Lula com 46,6%.
O resultado da pesquisa expõe a dificuldade de Lula em transformar as ações do governo em apoio eleitoral. Nem mesmo a isenção do Imposto de Renda para quem tem rendimentos de até R$ 5 mil surtiu o efeito de popularidade esperado pelo Planalto. A seis meses da disputa nas urnas, o petista tem ainda o desafio de conduzir o país em uma conjuntura internacional tumultuada pela guerra no Oriente Médio, com efeitos nos preços do petróleo e possível impacto na inflação.
Apesar da rápida subida nas pesquisas, Flávio ainda tem problemas internos no campo da direita para se consolidar como candidato ao Planalto. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro resiste a apoiar o enteado e lança sinais de que ainda trabalha para que o nome escolhido para enfrentar Lula seja o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Se o ex-presidente deixar o hospital onde se encontra internado, vai cumprir prisão domiciliar, como decidiu o ministro do STF Alexandre de Moraes. A expectativa entre pessoas próximas da família é de que, em casa com o marido, Michelle ainda tentará convencê-lo a retirar o apoio ao filho e lançar Tarcísio para a presidência.
Para haver essa reviravolta, o governador de São Paulo tem de renunciar ao cargo até 4 de abril, para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral.
Ratinho saiu do páreo
O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), anunciou na segunda-feira, 23, que não será candidato à Presidência da República. Ele era o nome preferido do presidente do partido, Gilberto Kassab, mas alegou preferir continuar governando o estado. Uma das razões políticas da decisão é manter a máquina administrativa na mão no período eleitoral e trabalhar contra o senador Sérgio Moro (PL), candidato ao governo favorito nas pesquisas.
Com a saída de Ratinho, restam os nomes dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como postulantes à candidatura ao Planalto. Se for o escolhido, Leite terá de deixar o cargo até 4 de abril. Caiado deve renunciar mesmo que não seja candidato a presidente para concorrer ao Senado.
Não se pode, entretanto, descartar a hipótese de que o PSD não tenha candidato. O partido é dividido entre apoiadores de Lula e setores mais próximos do bolsonarismo e a liberação das alianças pode facilitar as campanhas regionais.
Eleição anulada no Rio
Na noite desta quinta-feira, 26, o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio) anulou a sessão, realizada à tarde, que elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) para a presidência da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Sem a anulação, Ruas assumiria o cargo de governador do estado, pela linha sucessória natural, depois da renúncia, na segunda-feira, 23, do titular, Cláudio Castro (PL).
Presidente do TJ, o desembargador Ricardo Couto é o governador interino e continua no posto até a decisão final da Alerj. Nos próximos passos, os votos dos deputados estaduais serão recontados para a confirmação do resultado.
Sem prorrogação da CPI
O plenário do STF derrubou na quinta-feira, 26, por 8 votos a 2, a liminar do ministro André Mendonça que determinava a prorrogação dos trabalhos da CPI Mista do INSS. Apenas Luiz Fux acompanhou o relator.
A decisão do Supremo foi uma vitória política do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que não leu o requerimento de continuação do funcionamento da comissão. O prazo final da CPI é neste sábado, 28.
Cautela do Banco Central
Divulgada na terça-feira, 24, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) mostrou a cautela do Banco Central com a incerteza global provocada pela guerra no Oriente Médio. Pelos sinais emitidos no documento, o impacto dos preços internacionais do petróleo pode afetar o ciclo de queda de juros previsto para este ano. O cenário externo indica que a redução a Selic pode acontecer de forma mais branda do que sinalizava o BC.