Na tarde desta sexta-feira, 27, o STF decidiu favoravelmente à realização de eleição indireta para escolha do governador do Rio de Janeiro que vai exercer o mandato-tampão até o final do ano, depois da renúncia do titular, Cláudio Castro (PL). Com esse resultado, o chefe do Poder Executivo estadual será eleito pela Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), onde o grupo de Castro tem maioria.

O placar foi de 6 a 4. Votaram pelo pleito indireto os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Dias Toffoli e Luiz Edson Fachin. O entendimento favorável á escolha do governador pela população foi manifestado pelos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, que divergiram do relator ao defender a realização de eleições diretas.

O Supremo ainda discute se o prazo de desincompatibilização será de seis meses, posição do relator, ministro Luiz Fux, ou de 24 horas, conforme o entendimento dos ministros Cármen Lúcia, Nunes Marques, Dias Toffoli, André Mendonça e Edson Fachin. O tribunal também tende a determinar que a votação para a eleição do governador seja secreta.

A vitória da tese da eleição direta levaria a decisão para o voto da população fluminense. Em sessão relâmpago, Douglas Ruas para a presidência da Alerj. O deputado é aliado de Castro e ocuparia o governo interino dentro da linha sucessória, já que o Rio de Janeiro também estava sem chefe do Legislativo após a cassação de Rodrigo Bacellar (União Brasil). A votação, contudo, foi anulada pela Justiça. A ação que questionou a vitória de Ruas foi protocolada pelo PSD, partido do opositor Eduardo Paes, que apontou irregularidades no rito da votação. Como a escolha do governador tende a ser secreta, o grupo do ex-prefeito tentará nos bastidores atrair deputados alinhados a Castro.

A decisão do STF foi tomada em meio a uma turbulência política e institucional no estado do Rio de Janeiro. O TJRJ (Tribunal de Justiça) anulou a eleição que havia colocado o deputado estadual Douglas Ruas na presidência da Assembleia Legislativa. O parlamentar também é o preferido do PL para concorrer ao Palácio Guanabara nas eleições de outubro e na sessão que escolherá o mandato tampão.

Desde a saída de Cláudio Castro (PL) e a cassação de Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, o grupo político tenta consolidar uma musculatura maior para a candidatura de Douglas Ruas, ainda pouco conhecido pela população, a partir de uma exposição natural dada aos titulares do Poder Executivo.