Aposta de Gilberto Kassab após a desistência de Ratinho Jr., Ronaldo Caiado contabiliza ganhos e prejuízos no troca-troca de legendas desde que foi escolhido como pré-candidato ao Planalto pelo PSD. No entra e sai de candidatos, nem todas as mudanças são motivadas por sua indicação, pois algumas estão mais relacionadas aos palanques regionais.

Mesmo com chegadas importantes, a falta de unidade partidária desponta como um dos maiores problemas para a campanha de Caiado. Em alguns estados, candidatos do PSD estarão no palanque de Lula na campanha. 

Em Minas Gerais, o partido trocou um senador por outro. Carlos Viana decidiu deixar o Podemos e voltar ao PSD para concorrer a mais um mandato ao Senado depois da exposição que teve como presidente da CPMI do INSS. Ele ainda negocia o espaço na legenda, mas entra para reforçar a campanha do governador Mateus Simões (PSD), que assumiu no lugar de Romeu Zema (Novo) e vai disputar mais um mandato.

Mas em Minas o partido perdeu também na semana passada o senador Rodrigo Pacheco, que se filiou ao PSB. Ele é o candidato de Lula ao governo, e deixou a legenda de Kassab exatamente por causa da entrada de Simões, no final do ano passado, que chegou para disputar a reeleição na cadeira com o apoio de Zema, que deixou o cargo com a intenção de disputar o Planalto. Esse movimento inviabilizou o nome de Pacheco para o executivo estadual pelo PSD, por isso ele saiu da legenda para montar um palanque para o petista e, também, para tentar se eleger governador. 

Eliziane e Ramuth
Outra perda importante para o PSD foi saída da senadora Eliziane Gama (MA). Ela se filiou ao PT para disputar um novo mandato pelo Maranhão nas eleições de outubro. A opção pela saída, segundo explicou na nota que divulgou, foi tomada pelo fato de o partido ter escolhido “um novo trilho político no país”, uma referência direta ao perfil mais à direita representado por Caiado. Ela se despediu da sigla depois de 4 anos de filiação.

Antes da decisão, Kassab garantiu a Eliziane que ela teria liberdade para apoiar a reeleição de Lula, mas o compromisso não foi suficiente para mantê-la na legenda. “Mesmo com todas as garantias recebidas pelo presidente Kassab, decido que meu ciclo no PSD se encerra aqui e vou percorrer novos caminhos”, afirmou em nota pública.

No final de março, quando já se sabia que Caiado seria o nome para o Planalto, o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, trocou o PSD pelo MDB. A causa dessa saída foi a insatisfação de Ramuth com o interesse de Kassab em ocupar sua vaga de vice na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), segundo se fala nos bastidores. A falta de acordo levou ao afastamento entre os dois e Ramuth foi confirmado por Tarcísio como seu vice na tentativa de conquistar mais um mandato no Palácio dos Bandeirantes.

Túlio Gadelha
Uma das últimas adesões foi do deputado Túlio Gadelha (PE). Ele saiu da Rede e se filiou ao PSD para se candidatar possivelmente a uma das vagas ao Senado. Nesse caso, a chegada do parlamentar não significa mais um aliado para Caiado, pois Gadelha anunciou que, mesmo no partido do ex-governador de Goiás, e trabalhará pela reeleição de Lula.

A entrada de Túlio no PSD faz parte do arranjo político regional. Ele foi convidado pela governadora Raquel Lyra (PSD), que também concorrerá à reeleição e tem boa relação com Lula. Ela evita se posicionar em relação à candidatura do ex-governador de Goiás e, com a chegada do deputado, faz mais um aceno ao petista, que tem o ex-prefeito de Recife, João Campos (PSB), como seu principal aliado em Pernambuco, mas ganha espaço no palanque a governadora.