Com certa frequência, os rumores de que o presidente Lula não será candidato à reeleição neste ano vêm à tona em diversas análises de conjuntura política que levam em conta fatores como desaprovação do governo, idade de Lula, força do bolsonarismo, receio de perder depois de quatro vitórias para o Planalto e, ainda, pouco espaço para a conquista do centro político no cenário nacional.
Embora sejam elementos importantes, a ideia de que Lula prepara o “plano B” é recebida por petistas com acesso a Lula como algo irreal, como “desejo da classe dominante, travestido de análise política”, “matéria para tapar buraco”, ou mesmo “maldade de quem teme enfrentar o presidente das urnas”.
Ultimamente, Lula tem usado palanques e redes sociais para reforçar a imagem de novas lideranças do partido e, como quem pega pela mão, chamar a atenção para petistas como o ex-ministro Camilo Santana (Educação) e o próprio Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, que será o nome do PT ao governo de São Paulo. Fez o mesmo com Guilherme Boulos, deputado e maior liderança do PSOL, levado pelo presidente para o Palácio do Planalto para fazer a interface do governo com movimentos sociais.
Ao falar bem de Camilo Santana, por exemplo, em uma entrevista no Ceará, Lula apresenta o ex-ministro como um player, no entanto, não para essa eleição nem para o lugar dele de poder. “Quem acha que o Lula aceitaria ser substituído, não conhece a figura que ele é”, disse um petista das antigas, que sempre foi crítico do modo paternalista com que Lula trata o partido que ele criou.
Esses acenos de Lula de certa forma respondem às criticas, que recebe há décadas dentro do partido, de que não deixa que outros nomes cresçam à sua margem e lhe façam sombra. Além dos argumentos que evocam as características pessoais de Lula, outro ponto é citado pelos petistas que minimizam o impacto do crescimento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para alguns correligionários do presidente, a visão de que o PT foi surpreendido com o crescimento do Flávio é “desinformada ou maldosa” e que Lula sempre enfrentou rejeição alta em suas eleições.
Tem um limite
“Nós nunca ganhamos no primeiro turno, mas todo mundo sabe que o Lula tem um patrimônio eleitoral incrível e tem sua rejeição, afinal, ele é um político rodado”, declarou um ex-presidente do partido, sob reserva. “Além disso, Lula sabe também que, por mais que ele seja forte, faça ginástica, existe o fato de ele não pode ser candidato em 2030, caso reeleito. Só isso já coloca um limite objetivo para ele. Mas ele está muito bem, está consciente do desafio que tem pela frente e não está discutindo a substituição dele”, disse um interlocutor assíduo do presidente.
O PT já decidiu que Camilo Santana será um cabo eleitoral importante no Ceará e aposta em seu potencial de transferência de prestigio como “padrinho político” de Elmano de Freitas (PT), que tentará a reeleição. Haddad vai para a disputa em São Paulo e também é visto como um substituto de Lula, mas não para essa corrida presidencial, seria para as próximas. “É claro que Haddad, por ter sido prefeito de São Paulo e candidato ao Planalto em 2018 ocupa a pole position na substituição de Lula. Mas isso não está em discussão”, disse um dirigente do partido.
Do ponto de vista do PT, outro aspecto desestimula a ideia de trocar o candidato. Lula sempre foi considerado bom de voto e muita gente no partido se preocupa com o dia que ele não puder mais disputar eleições.