Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal, saiu mais animado de um jantar na noite dessa quarta-feira, 8, em uma casa no Lago Sul, área nobre de Brasília.

O encontro, frequente, ocorre na residência de um amigo do senador Lucas Barreto, do PSD do Amapá. Desta vez, Otto Alencar pediu para levar Messias, o que acabou atraindo outros parlamentares. Ao longo da noite, cerca de 40 senadores passaram pelo local, inclusive nomes da direita.

Messias chegou acompanhado de Otto, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, onde será sabatinado, e de Jaques Wagner, líder do governo no Senado. O ministro Cristiano Zanin apareceu depois, após sessão no Supremo sobre a situação política no Rio de Janeiro.

O clima, segundo relatos feitos à coluna, foi de descontração, com peixe e pato no cardápio.

Alguns senadores garantiram a Messias que o nome dele será aprovado, e arriscaram que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, poderá formalizar a indicação à CCJ ainda nesta semana. “Todo mundo sabe que o Davi está pressionado de todos os lados. Ele vai ter que colocar para votar”, afirmou um parlamentar.

Entre senadores da direita, alguns pressionados pelas bases a rejeitar o nome, o raciocínio ouvido foi pragmático: se Messias não passar, Lula pode indicar “alguém ainda mais alinhado”. Em tom de brincadeira, surgiu a frase: “Se não aprovarem o Messias, o Lula indica a Gleisi Hoffmann”.

O senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, cotado para relatar a indicação, também esteve presente.

Messias aparentava estar tranquilo, e reforçou que espera um desfecho o quanto antes. A quem se aproximava, ele falava do “privilégio” de ter sido indicado pelo presidente da República.

Em uma das conversas, um senador mencionou a possibilidade de, em caso de falta de quórum na CCJ, estratégia dos contrários à indicação, o tema ser levado diretamente ao plenário do Senado. “Manda logo para o plenário”, disse.

Ao longo da noite, Messias também ouviu avaliações sobre a votação do veto de Lula ao projeto que trata da dosimetria das penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Entre os presentes, predominava a percepção de que, uma vez convocada a sessão do Congresso por Alcolumbre, o veto tende a ser derrubado “em nome da pacificação”.