O convite feito pelo deputado Aécio Neves (PSDB-MG) para que o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB-CE) seja o candidato tucano à Presidência da República surpreendeu membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o ministro José Guimarães (Relações Institucionais), que também é do Ceará, estado de Ciro, o anúncio soou como algo inesperado, fora do comum na política. “Foi meio esdrúxulo o Aécio convidar o Ciro para ser candidato a presidente”, disse o ministro ao PlatôBR.

Ao ser questionado dos motivos de estranhamento, Guimarães lembrou de brigas antigas entre Ciro e Aécio. “Eles já brigaram tanto”, disse o ministro, que já foi aliado de Ciro no Ceará, mas hoje eles estão em campos opostos na política local. 

Uma das brigas entre os dois tucanos ocorreu durante o governo de Michel Temer (MDB), após o impeachment de Dilma Rousseff e quando Aécio estava afastado de seu mandato de senador por decisão da Primeira Turma do STF em 26 de setembro de 2017. Na época, ele estava sendo acusado de corrupção passiva e obstrução de Justiça na operação Lava Jato.

Menos de um mês depois, o Plenário do Senado votou pela derrubada da decisão do STF, permitindo que o tucano retornasse ao exercício do mandado. Ciro, na época do afastamento, no entanto, não poupou críticas públicas ao tucano o retratando como “uma das mais profundas decepções da vida pública”.

Irritação no Ceará
O convite de Aécio ainda espera uma resposta de Ciro, que deve avaliar o desempenho em pesquisas eleitorais e a possibilidade de alianças no campo da centro direita em torno de seu nome. No Ceará, Ciro conta com bom desempenho nas pesquisas para o governo do estado e sua articulação com os tucanos no plano nacional chegou a irritar nomes da direita no estado que contam com sua candidatura.

Entre os partidos que Aécio deve buscar está o MDB, legenda também criticada por Ciro Gomes durante o governo de Michel Temer (2016 a 2018). Antes de anunciar o convite a Ciro, Aécio chegou a se reunir com Temer, em março deste ano, em São Paulo, e saiu do encontro dizendo achar possível a “construção política” com Temer “para o surgimento de alternativas aos dois polos que hoje dominam o debate nacional”. Menos de um mês depois, Aécio formalizou o convite a Ciro.

Embora Guimarães considere “esdrúxula” a aproximação entre Aécio e Ciro, seu partido também demonstra flexibilidade em relação ao tucano. Em Minas, o PT aceita Aécio no mesmo palanque que Lula, se o candidato a governador for o senador Rodrigo Pacheco, apoiado pelos dois.