Ao se encontrar com Lula na semana passada, no dia em que participou de um evento no Palácio do Planalto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ouviu um pedido. O petista solicitou que ele organizasse um jantar na Residência Oficial do Senado e convidasse todos os senadores. O objetivo era articular votos para a aprovação do nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para a vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal).
Uma semana depois, Alcolumbre não mexeu os talheres para a recepção aos senadores. Nem mesmo abriu a agenda para uma conversa privada com Messias, indicado para o Supremo a contragosto do presidente do Senado. Pessoas próximas a Alcolumbre dizem que ele não prometeu a Lula que trabalharia pela aprovação do nome de Messias. Na conversa com o petista, o presidente do Senado teria prometido somente não atrapalhar.
A inércia de Alcolumbre, no entanto, começa a surtir o efeito esperado pela oposição que trabalha contra a aprovação. Na tarde desta quinta-feira, 23, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) foi às redes sociais para dizer que votará contra a indicação. “Digo e repito a quem me questionar: sou contra a indicação de Lula para que Jorge Messias ocupe um assento no STF. O Senado não pode aceitar que o presidente faça da Suprema Corte brasileira um grande grupo de companheiros”, postou a senadora.
Para a oposição, a postura de Gabrilli surpreendeu pelo fato de ela ocupar uma posição centrista e de votar a favor de muitas pautas do governo.
A sabatina de Messias está marcada para o próximo dia 29 de abril na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e a intenção do governo é que a indicação seja votada no plenário do Senado no mesmo dia.