Os vereadores que invadiram Brasília nesta semana para mais uma marcha não são bem-vindos no gabinete do deputado federal Amom Mandel, no sétimo andar do Anexo IV da Câmara.
O parlamentar de 25 anos, do Republicanos do Amazonas, colou na porta um aviso direto, proibindo a entrada da turma, que anda irritada com ele.
“Entrada proibida para vereador em horário de expediente. O povo está esperando serviço”, diz o cartaz.
A cada dia da marcha, que termina nesta quinta-feira, 30, um novo recado. No anterior, Amom mandava os vereadores “trabalharem pelo povo”.
O motivo da revolta é uma proposta anunciada pelo deputado neste mês: extinguir o cargo de vereador em cidades com até 30 mil habitantes. Se aprovada, a medida acabaria com cerca de 70% das Câmaras Municipais do país.

A ideia é transformar vereadores em conselheiros das prefeituras, sem salário fixo, apenas com ajuda de custo. O texto da PEC deve ficar pronto nos próximos dias, quando Amom começará a coletar assinaturas — são necessárias 171 para protocolar a proposta.
O deputado iniciou a carreira política justamente como vereador. Em 2020, foi eleito em Manaus e se tornou o mais jovem da história da Câmara Municipal.
Nesta quarta-feira, 29, enquanto o Congresso se concentra na sabatina de Jorge Messias no Senado, a coluna foi ao gabinete de Amom, que não estava. Nas redes, ele publicou uma foto recebendo medicação na veia e ironizou: “Acho que teve muito vereador jogando praga”. Antes, havia postado vereadores gravando vídeos no plenário da Câmara: “Turistando em Brasília, boa parte com dinheiro público”.
Uma funcionária do gabinete ajustava o cartaz na porta — “está um pouco torto” — e confirmava a ordem: vereador não entra. “Eles aparecem revoltados, querem falar com o deputado, saber da PEC, mas ficam somente no corredor”, disse.