Registros de despesas do gabinete de Ciro Nogueira (PP-PI) no Senado mostram uma sequência de gastos com querosene de aviação dias após o voo que entrou na mira da Polícia Federal por transportar bagagens de autoridades que não foram inspecionadas após pousar no Brasil.

Na aeronave do empresário do ramo de bets Fernando Oliveira Lima estavam, além do senador, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). O grupo retornava da ilha de Saint Martin, no Caribe.

Ao todo, o gabinete de Ciro Nogueira pediu o ressarcimento de R$ 39.228,13, referentes a 4.873,08 litros de combustível de aviação. Foram ao menos seis recibos em menos de uma semana. O primeiro data de 24 de abril de 2025, quatro dias depois do voo. Os demais recibos são dos dias 25, 27, 28 e 29 de abril.

Procurado pelo PlatôBR, o gabinete do senador não se pronunciou. 

Segundo a PF, cinco volumes de bagagem foram retirados do jatinho e, levados pelo piloto, passaram pela alfândega sem a devida inspeção no raio-x. O pouso da aeronave ocorreu na noite de 20 de abril de 2025. O episódio é objeto de uma investigação que foi enviada ao STF em razão do foro privilegiado dos passageiros. O relator do caso na corte é o ministro Alexandre de Moraes.

O dono do jatinho é conhecido nas redes sociais como “Fernandinho OIG”. Ele é apontado como operador de plataformas de apostas como o “jogo do tigrinho”.