O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu nesta quarta-feira, 29, cortar os juros em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. A autoridade monetária informou que tomou a decisão diante da “gordura” acumulada com o processo que levou a taxa a 15%. Na prática, os diretores do Banco Central sinalizaram que a Selic chegou a um patamar tão contracionista que pequenos cortes não mudam o efeito prático de frear a expansão da economia.
“O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”, informou a autoridade monetária.
O Copom, entretanto, não se comprometeu com novos cortes de juros e não deu sinais de que vai manter o ritmo, acelerar ou paralisar o ciclo de redução da Selic. As incertezas recentes em decorrência da guerra no Oriente Médio e o aumento do preço do petróleo são os principais riscos que podem paralisar o ciclo de corte de juros.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, afirmou o BC no comunicado.