A ressaca da rejeição acachapante, no Senado, da indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para o STF fez com que setores do governo e do PT buscassem ainda na noite de quarta-feira, 29, e na manhã desta quinta-feira, 30, os nomes e as siglas de pelo menos oito traidores do governo. Em algumas conversas, o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) chegou a ser citado, apesar de todos os gestos feitos por ele para a aprovação do indicado de Lula ao longo dos últimos meses.
Pacheco, na tese de alguns aliados do governo, seria o principal beneficiado e, por isso, teria votado secretamente contra Messias. Esse entendimento, porém, tratou de ser afastado por membros do PT mineiro que esperam de Pacheco o anúncio de que ele será o candidato de Lula ao governo do estado. “Ele disse ontem que votou em Messias. Acho que ele votou mesmo”, disse o deputado Rogério Correia (PT-MG) ao PlatôBR, indicando que a derrota não pode influenciar no leque de alianças que precisa ser formado no estado sobre o palanque do presidente que tentará a reeleição a um quarto mandato.
Presidente do PT mineiro, a deputada estadual Leninha confirma a versão de Correia e diz não acreditar em qualquer movimento de Pacheco contra Messias. “A gente já sabia que essa indicação tinha dificuldade de passar por não ter agradado a Alcolumbre, que queria Pacheco como indicado. Não acreditamos que haja participação de Pacheco nessa estratégia. Estamos aguardando o sinal dele para dar continuidade à formação da chapa”, afirmou a deputada em conversa com o PlatôBR.
Para aliados de Pacheco, as desconfianças são insufladas por petistas que ainda tentam uma resposta sobre o que deu errado na articulação com senadores para a indicação e apontam que, além do voto, Pacheco fez mais por Messias. Citam, nesse caso, pelo menos dois almoços com parlamentares que ele realizou com o ministro da AGU, além da assinatura de uma carta divulgada pelo PSB em apoio público ao indicado.
Pacheco tem procurado tratar o assunto como “página virada” e, passada a votação, deverá, de acordo com pessoas próximas, se dedicar mais à formação de sua chapa no estado. Além de esperar o movimento que ocorreu em torno de Messias, o senador também aguarda sentir o termômetro da relação de Lula com o Congresso e com o senador Alcolumbre, seu aliado de primeira hora, para seguir na montagem do palanque.
Nesse primeiro momento, a ordem de Lula é “continuar dialogando” com o presidente do Senado. O petista ainda não definiu quando e que perfil deverá indicar para a vaga que permanece aberta no STF.
Apesar de ter ficado em terceiro lugar na disputa estimulada, atrás do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), o resultado das últimas pesquisas Quaest foi interpretado por Pacheco com vários sinais positivos. Um deles é de que, apesar de haver em Minas um eleitorado bastante propenso a escolher um governador não alinhado a Lula ou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o apoio do presidente ainda é muito importante no estado.