O ministro Dario Durigan (Fazenda) completou um mês no cargo, em 20 de abril, capturado pela pauta eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer alavancar a sua popularidade diante do crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto. Enquanto tenta atender aos interesses da pré-campanha do petista, Durigan procura imprimir uma gestão mais midiática, com diversas entrevistas e posts nas redes sociais que mesclam atividades de governo e da vida pessoal.
Das missões espinhosas recebidas de Lula, Durigan precisa colocar de pé um programa de renegociação, com teto de juros de 1,99%, para reduzir o endividamento bancário dos brasileiros, que chegou a 49,9% em fevereiro, o maior patamar da série histórica do Banco Central. Em ano eleitoral, o tema virou uma preocupação do presidente.
Pelo acordo preliminar, as instituições financeiras devem oferecer aos clientes descontos de até 90% em dívidas no cartão de crédito rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, com prazo de pagamento de até 48 meses. Os últimos detalhes serão validados com Lula.
“Eu estou completando um mês à frente do Ministério da Fazenda. Foi um mês de muito trabalho e bastante entrega. Os temas de impacto da guerra no Brasil, cooperação com os Estados Unidos da Receita Federal com a aduana norte-americana, a emissão de títulos na Europa. E estamos aqui concluindo com as instituições financeiras as conversas para entregar ao presidente no fim desta semana o programa da renegociação das dívidas”, afirmou Durigan na última segunda-feira, 27.
Outro problema que precisa ser enfrentado pelo ministro é a “taxa das blusinhas“, que garantiu R$ 5 bilhões de arrecadação aos cofres públicos em 2025 e é alvo de Lula, de ministros e da primeira dama, Janja Lula da Silva, que defendem a extinção do tributo como um afago aos brasileiros.
Entre as missões delegadas por Lula a Durigan está a necessidade de mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio, que pressionam os preços dos combustíveis, por meio da redução de impostos. O governo quer reduzir possíveis prejuízos à popularidade do presidente com o encarecimento do diesel e da gasolina. A extensão do conflito e o custo fiscal das medidas têm potencial de impactar as contas públicas. No curto prazo, o problema ainda é administrável diante do aumento de arrecadação com o petróleo mais caro.
Para além das tradicionais agendas com Lula, ministros, empresários e banqueiros, Durigan também encontrou tempo para festejar sua posse. Em uma cerimônia secreta e fora da agenda pública, como mostrou o PlatôBR, o ministro recebeu até a visita do empresário Joesley Batista. Se a gestão do sucessor de Fernando Haddad será um sucesso, só o tempo dirá. Enquanto isso, ele tem se desdobrado para justificar tecnicamente as medidas pedidas por Lula para tentar o quarto mandato.