Uma semana depois de aplicar uma dupla derrota ao governo, a oposição foi jogada na defensiva por dois fatos que mexeram na política do país nesta quinta-feira, 7. Ao longo do dia, os brasileiros acompanharam pela imprensa e pelas redes a visita do presidente Lula aos Estados Unidos, com repercussão positiva da entrevista coletiva concedida à tarde pelo petista na Embaixada do Brasil em Washington sobre o encontro com Donald Trump.
O outro episódio que impactou o mundo político foi a operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, que realizou buscas e apreensões em endereços do senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro. Sobre essa ação, a estratégia da oposição é tentar descolar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, do aliado Nogueira.
A maior dificuldade para dissociar os dois senadores decorre da forte relação política do presidente do PP com a família Bolsonaro. Essa proximidade foi explicitada em fevereiro pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ao dizer que Nogueira seria o “vice dos sonhos” de Flávio.
Muitas lideranças da oposição evitaram se posicionar publicamente sobre a operação da PF. Nos bastidores, os primeiros movimentos dos oposicionistas depois da operação policial mostram que a tendência é de isolamento de Nogueira. “Ciro nunca foi um dos nossos. Ele sempre foi do governo de ocasião”, disse sob reserva um dirigente do PL, em uma clara demonstração de que o presidente do PP começou a ser tratado como carta fora do baralho no jogo da sucessão presidencial.
“Que apodreça atrás das grades”
O líder da oposição no Congresso, senador Izalci Lucas (PL), se manifestou sobre as denúncias contra Nogueira. Ele também procurou reduzir o impacto da operação da PF na campanha do pré-candidato de seu partido. “Flávio não tem nada com isso. Aliás, Ciro participa de todos os governos, desde os anos da Dilma e continuou com o Temer e, depois, Bolsonaro. Não temos nada com o que nos preocupar”, afirmou Izalci em entrevista ao PlatôBR.
O deputado Cabo Gilberto (PL-PE), líder da oposição na Câmara, também buscou isolar o presidente do PP. “Ciro Nogueira nunca foi de direita, nunca foi bolsonarista. Sempre foi do Centrão fisiológico. Ele foi homem forte de Bolsonaro, mas também foi homem forte de Lula em outros governos”, disse o deputado. Nesse rumo, aliados de Flávio já postam nas redes sociais fotos de Nogueira ao lado de Lula e de Jair Bolsonaro. Em entrevista ao PlatôBR, Gilberto indicou indiferença quanto ao futuro do senador investigado pela PF. “Se ele for culpado, que apodreça atrás das grades. A gente não passa pano para quem quer que seja”, disse o líder da oposição.