A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de acabar com a impostos das compras online até US$ 50 dólares, a chamada ‘taxa das blusinhas‘, acabou causando para o ex-ministro Fernando Haddad (Fazenda), pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, um certo constrangimento, pois o ex-ministro defendeu o imposto durante toda sua gestão, vencendo a ala política do Planalto.

Haddad, por sua postura mais incisiva em defesa da arrecadação, chegou a ser chamado de “Taxad” pela oposição e, agora, precisará de um discurso que seja coerente com o que será feito pelo presidente, que disputará a reeleição.

O ex-ministro terá que definir como falar sobre a questão sem melindrar Lula que, por sua vez, precisará calibrar o discurso para não atrapalhar Haddad.

A solução mais provável, de acordo com petistas, será não negar que houve divergências entre ele e políticos do PT no período em que esteve como ministro e que, até o momento em que Lula decidiu editar a MP, essas controvérsias prevaleceram. “Sempre houve controvérsias dentro do governo”, disse o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tentando dar um ar de naturalidade à disputa interna no governo. 

Lula esperou Haddad sair do governo para atender à ala política e à primeira-dama, Janja da Silva, que desde o dia da criação da taxa se colocou contrária à cobrança. 

Para membros do PT, o fim da ‘taxa das blusinhas’ pode também representar uma oportunidade para Haddad se aproximar em São Paulo do setor industrial, caso ele mantenha sua postura independente do governo nesse assunto. Empresários se manifestaram de forma contrária ao fim da taxa. Além disso, a esperança no PT de São Paulo é de que o fim do imposto passe a ser tratado como um “não assunto” na campanha, aliviando a pressão sobre o ex-ministro.