A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro solicitou ao banqueiro Daniel Vorcaro recursos para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, provocou uma ressaca política imediata em Brasília. A reportagem do The Intercept Brasil, com áudios, documentos e mensagens, colocou o principal nome da direita para a disputa ao Planalto no centro do escândalo do banco Master.
O novo episódio ampliou o desgaste de um grupo que já havia sido atingido pela revelação de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, recebia pagamentos mensais de Vorcaro e atuava no Congresso em favor de interesses do Master. Com Flávio agora diretamente associado ao caso, integrantes da esquerda passaram a pressionar os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pela abertura de uma CPI sobre o Master. Para se afastar da crise, aliados de Flávio também endossaram a criação da comissão.
No núcleo mais próximo de Michelle Bolsonaro, a avaliação é de que o conteúdo divulgado compromete a viabilidade da candidatura de Flávio. Aliados passaram a defender que ela assuma imediatamente a condição de cabeça da principal chapa da direita ao Planalto. Parte desse grupo apostava no governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas a permanência dele na principal cadeira de São Paulo inviabilizou sua participação na disputa presidencial deste ano. A pressão interna se intensificou ao longo do dia. Na visão desse grupo, a ex-primeira-dama seria a carta na manga, já que nunca declarou apoio explícito ao projeto presidencial do enteado.
Sessões encerradas
Os efeitos da divulgação dos áudios foram sentidos no Congresso. Numa quarta-feira, 13, tradicionalmente o dia mais movimentado da semana legislativa, comissões foram encerradas antes do previsto, entre elas a que discute o fim da escala 6×1, uma das pautas prioritárias do governo no momento. Na Câmara e no Senado Federal, as sessões também foram encerradas. O tema dominou conversas reservadas e deslocou o foco das votações para a crise política instalada após a divulgação do material.
Em nota, Flávio afirmou que o episódio envolveu “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. Segundo o senador, houve “zero de dinheiro público, zero de Lei Rouanet”, sem oferta de vantagens, intermediação de negócios com o governo ou recebimento de recursos pessoais. Ao final, defendeu a instalação da CPI do Banco Master e declarou: “É preciso separar os inocentes dos bandidos.”